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Questão 17 1ª fase

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Questão 17

Carlos Drummond de Andrade Barroco mineiro (FSH)

 

 

 

II / São Francisco de Assis*

Senhor, não mereço isto.

Não creio em vós para vos amar.

Trouxestes-me a São Francisco

e me fazeis vosso escravo.

 

Não entrarei, senhor, no templo,

seu frontispício me basta.

Vossas flores e querubins

são matéria de muito amar.

 

Dai-me, senhor, a só beleza

destes ornatos. E não a alma.

Pressente-se dor de homem,

paralela à das cinco chagas.

 

Mas entro e, senhor, me perco

na rósea nave triunfal.

Por que tanto baixar o céu?

por que esta nova cilada?

 

Senhor, os púlpitos mudos

entretanto me sorriem.

Mais que vossa igreja, esta

sabe a voz de me embalar.

 

Perdão, senhor, por não amar-vos.

 

Carlos Drummond de Andrade

*O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

 


Analise as seguintes afirmações relativas à arquitetura das igrejas sob a estética do Barroco:

 

Unem-se, no edifício, diferentes artes, para assaltar de uma vez os sentidos, de modo que o público não possa escapar.

O arquiteto procurava surpreender o observador, suscitando nele uma reação forte de maravilhamento.

A arquitetura e a ornamentação dos templos deviam encenar, entre outras coisas, a preeminência da Igreja.

 

A experiência que se expressa no poema de Drummond registra, em boa medida, as reações do eu lírico ao que se encontra registrado em



a)
I, apenas.
b)
II, apenas.
c)
II e III, apenas.
d)
I e III, apenas.
e)
I, II e III.
Resolução

A análise de cada uma das asserções esclarece a alternativa correta.

I. Correta. O eu lírico mostra-se incapaz de escapar das sensações suscitadas pela experiência de adentrar na igreja nas seguintes passagens: “Mas entro e, senhor, me perco / na rósea nave triunfal.” e “Mais que vossa igreja, esta / sabe a voz de me embalar”.

II. Correta. A reação de maravilhamento do eu poemático fica evidente em: “Mas entro e, senhor, me perco / na rósea nave triunfal. / Por que baixar tanto o céu?”. Os itens em destaque no trecho anteriormente selecionado mostram que o eu lírico enxerga-se como reduzido em relação à grandiosidade da construção, cujo espaço interno reproduz o céu.

III. Correta. A preeminência da Igreja de fato é exposta por sua ornamentação, a qual figura nas seguintes escolhas lexicais: “vossas flores e querubins” e “Dai-me, senhor, a só beleza / destes ornatos”.