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Questão 16 Química e História

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Questão 16

União Ibérica

A união de Espanha e Portugal, em 1580, trouxe vantagens para ambos os lados. Portugal era tratado pelos monarcas espanhóis não como uma conquista, mas como um outro reino. Os mercados, as frotas e a prata espanhóis revelaram-se atraentes para a nobreza e para os mercadores portugueses. A Espanha beneficiou-se da aquisição de um porto atlântico de grande importância, acesso ao comércio de especiarias da Índia, comércio com as colônias portuguesas na costa da África e contrabando com a colônia do Brasil.

(Adaptado de Stuart B. Schwartz. Da América Portuguesa ao Brasil. Lisboa: Difel, 2003, p. 188-189.)


a) Segundo o texto, quais foram os benefícios da União Ibérica para Portugal e para a Espanha?

b) No contexto da União Ibérica, o que foi o sebastianismo?



Resolução

a) União Ibérica é o nome dado ao período no qual Portugal e Espanha foram governados pelo mesmo rei, no período de 1580 à 1640. Segundo o texto, as duas nações foram beneficiadas nesse período: a nobreza e os mercadores portugueses puderam usufruir dos mercados, das frotas e da prata oriunda da extração espanhola na América; já os espanhóis ganharam o domínio do porto (cidade do Porto), importante pela grandeza e pela circulação de riquezas, da colônia portuguesa na América (Brasil) e das rotas comerciais estabelecidas pelos portugueses desde o século XV para África e Ásia.

Obs: A União Ibérica teve fim em 1640 com a chamada “Restauração” quando um nobre português, Duque de Bragança, com ajuda britânica, expulsou os espanhóis e assumiu o trono português.

b) A União Ibérica teve sua origem no sumiço do rei D. Sebastião quando ele combatia os mouros (muçulmanos) no norte da África em 1578. Sem herdeiros, o trono foi ocupado por um tio-avô, o cardeal D. Henrique, que morre em 1580 sem possuir também um sucessor. É nessa ocasião que Felipe II, rei de Espanha, se aproveita para invadir Portugal e se apoderar do seu trono.

Todavia, em Portugal sempre existiu a idéia de que havia uma predestinação, baseada em crenças cristãs, no sentido de que eles formariam um grande Império Cristão na Terra. Por ser D. Sebastião um rei jovem, com fama de corajoso e de cristão fervoroso, todas as esperanças de concretização dessa crença recaíram sobre ele, por isso a negativa dos portugueses em acreditar em sua morte. Os portugueses passaram a crer no retorno do rei desaparecido e na concretização do Império idealizado através dele, crença essa que passou a ser chamada de “sebastianismo”.

Posteriormente, mesmo sendo humanamente impossível o retorno do rei D. Sebastião, o mito do sebastianismo permaneceu e foi retomado, por exemplo, no movimento de Canudos aqui no Brasil, no final do século XIX.