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Questão 5 Línguas

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Questão 5

Pressupostos e Subentendidos poesia e música

Onde estou? Este sítio desconheço:

Quem fez diferente aquele prado?

Tudo outra natureza tem tomado;

E em contemplá-lo tímido esmoreço.

 

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

De estar a ela um dia reclinado.

Ali em vale um monte está mudado:

Quanto pode dos anos o progresso!

 

Árvores aqui vi tão florescentes,

Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

 

Eu me engano: a região esta não era:

Mas que venho a estranhar, se estão presentes

Meus males, com que tudo degenera!

(Cláudio Manuel da Costa. Sonetos (VlI). In: RAMOS, Péricles Eugênio da Silva (Intr., sel. e notas): POESIA DO OUTRO - ANTOLOGIA. São Paulo: Melhoramentos, 1964, p.47.)


No soneto, o eu lírico expressa-se de forma



a)
a) introspectiva, valendo-se da idealização da natureza.
b)
b) racional, mostrando-se indiferente às mudanças.
c)
c) contida, descortinando as impressões auspiciosas do cenário.
d)
d) eufórica, reconhecendo a necessidade de mudança.
e)
e) reflexiva, explorando ambiguidades existenciais.
Resolução

a) Incorreta. Há introspecção, mas não há idealização da natureza. Pelo contrário, esta é encarada como destituída das características que a faziam ser agradável.

b) Incorreta. O eu-lírico se mostra bastante afetado pelas mudanças, como explicitado no verso “E em contemplá-lo tímido esmoreço.

c) Incorreta. O eu-lírico não se mostra contido ao analisar o cenário: pelo contrário, revela suas emoções e sensações a respeito das mudanças sofridas pelo lugar. Além disso, suas impressões não são auspiciosas (positivas, otimistas), mas sim pessimistas, como evidenciado no verso “Nem troncos vejo agora decadentes’.

d) Incorreta. O eu-lírico não se revela eufórico (ao contrário: o adjetivo usado por ele é “tímido”) e não opina sobre a necessidade ou não da mudança, limitando-se a lamentar a velocidade com que ela ocorre.

e) Correta. O eu-lírico faz uma reflexão sobre as mudanças, comparando sua própria situação à do local em que ele se encontra. A relação entre o eu-lírico e a do local é que, ao contrário do ambiente, que se degenera, os males do eu-lírico parecem permanentes; essa percepção do eu-lírico pode ser classificada como uma ambiguidade existencial.