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Questão 24 Unesp 2023 - 2ª fase

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Questão 24

Iluminismo Anarquismo Doutrinas Sociais do Século XIX

Leia os fragmentos.

Mas como nenhuma sociedade política pode existir ou subsistir sem ter em si o poder de preservar a propriedade, e, para isso, punir as ofensas de todos os membros daquela sociedade, só existe uma sociedade política onde cada um dos membros renunciou ao seu poder natural e o depositou nas mãos da comunidade.

(Segundo tratado sobre o governo civil, 1994.)

Exploração e governo, o primeiro dando os meios de governar e constituindo a base necessária assim como o objetivo de todo governo, que por sua vez garante e legaliza o poder de explorar, são os dois termos inseparáveis de tudo que se chama política. Desde o início da história, eles constituíram a vida real dos Estados: teocráticos, monárquicos, aristocráticos e até mesmo democráticos.

(Deus e o Estado, 2008.)


Esses fragmentos associam-se, respectivamente,



a)

ao socialismo utópico e ao marxismo.

b)

ao marxismo e ao iluminismo.

c)

ao iluminismo e ao anarquismo.

d)

ao leninismo e ao socialismo utópico.

e)

ao anarquismo e ao leninismo.

Resolução

O primeiro fragmento de texto apresentado pela questão foi retirado do livro Segundo Tratado sobre o Governo Civil (1689), de autoria do filósofo John Locke (1632-1704). Nessa passagem ele defende principalmente a questão da propriedade e se vincula fundamentalmente ao que seria um gesto precursor do movimento iluminista, que seria difundido especificamente no século XVIII. Já o segundo fragmento foi retirado do livro Deus e o Estado (1882), do pensador russo Mikhail Bakunin (1814-1876), que se insere no pensamento anarquista, especialmente por sua crítica ao poder autoritário dos vários tipos de Estado que existiram ao longo da história.

a) Incorreta. Os fragmentos apresentados não correspondem respectivamente ao socialismo utópico e ao marxismo. Podemos destacar, inclusive, que os autores socialistas utópicos, tais como Charles Fourier (1772-1837), são grandes críticos da propriedade privada. Ao mesmo tempo, os marxistas, embora criticassem o Estado burguês, defendiam a criação do Estado socialista, que, a partir de seus conceitos, seria a chamada ditadura do proletariado.

b) Incorreta. A tradição marxista é crítica da propriedade privada, vendo-a como algo que origina exploração; já o iluminismo, embora critique o Estado absolutista e suas estruturas, não foi um movimento que condenasse a existência do Estado em si.

c) Correta. O autor do primeiro fragmento, o filósofo John Locke, estava ligado ao movimento iluminista, que tinha entre suas ideias centrais a questão da propriedade, representada no excerto citado como ponto essencial para a existência de uma sociedade política. Já o autor do segundo fragmento de texto, o pensador russo Mikhail Bakunin, era ligado ao movimento anarquista, caracterizado por uma crítica severa à existência do Estado, entendido, a partir do trecho citado, como fonte inevitável de exploração.

d) Incorreta. O primeiro fragmento de texto foi de autoria de John Locke, que pode ser considerado um iluminista. Não podemos ligá-lo ao leninismo, dentre outros fatores justamente pelo fato de Vladimir Ilitch Uliánov, conhecido como Lênin (1870-1924), famoso pensador e político revolucionário russo, ter vivido muito tempo após Locke.

e) Incorreta. Não podemos ligar o nome de John Locke ao anarquismo, movimento filosófico surgido muitos anos depois da morte de Locke e que questionava princípios bastante caros aos iluministas, como a propriedade privada. Ao mesmo tempo, não podemos inserir Bakunin no leninismo, já que as teses de Lênin bebem da vertente marxista do socialismo científico, defendendo a tomada do poder e dos meios de produção pela classe trabalhadora, o que levaria à chamada ditadura do proletariado, configurando um Estado socialista; de acordo com as teses anarquistas, a forma de transformação revolucionária seria direta, sem a existência de um Estado, organização a qual os anarquistas veementemente se opõem, nesse ponto divergindo dos leninistas, que embora pensem na dissolução do Estado para a formação de uma sociedade comunista, consideram a transição de um Estado burguês para um Estado proletário algo fundamental para seu projeto político.