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Questão 2 Fuvest 2023 - 2ª fase - dia 2

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Questão 2

Sistemas Estequiometria com gases

O diamante, uma estrutura cristalina de carbono, é o material mais duro encontrado na natureza. Mastigar diamantes provavelmente quebraria os dentes e a sua ingestão causaria desconforto. Entretanto, há uma forma extravagante de ingerir um diamante, que é utilizá-lo para produzir água com gás, como no seguinte procedimento:

1 – O diamante triturado foi inserido dentro de um tubo de vidro;

2 – Foi injetado oxigênio gasoso no tubo de vidro, que foi aquecido com um maçarico;

3 – O gás produzido foi recolhido dentro de um tubo de ensaio imerso em nitrogênio líquido;

4 – Todo o sólido formado dentro do tubo de ensaio foi transferido para um cilindro de gás de volume interno de 1 L com a válvula fechada. Todo o CO2 sublimou dentro desse cilindro;

5 – O cilindro de gás foi então conectado a uma garrafa de água, que foi gaseificada com a abertura da válvula do cilindro.


a) Com base no esquema, a temperatura de fusão do N2 é maior, menor ou igual a temperatura de fusão do CO2?

b) Se um experimento exatamente igual for realizado trocando o volume de diamante utilizado pelo mesmo volume de grafite, a quantidade de CO2 formado ao fim do processo será menor, igual ou maior? Explique.

c) Partindo-se de 3 g de diamante, qual a massa de gelo seco obtida? Qual será a pressão gerada pelo CO2(g) dentro do cilindro de gás a 27 °C? Considere que o rendimento do experimento é de 100%.



Resolução

a) A temperatura de fusão do nitrogênio (N2) é menor que a do dióxido de carbono (CO2). Isso fica evidente pois, na etapa em que o CO2 é solidificado, nota-se que o N2 ainda encontra-se no estado líquido, evidenciando que, a temperatura do conjunto é capaz de solidificar o dióxido de carbono mas não é baixa o suficiente para que o nitrogênio passe para o estado sólido.     
Dessa forma, conclui-se que a temperatura de fusão, ou seja, a temperatura para que uma substância mude do estado sólido para o estado líquido (e vice-versa), do CO2 é mais elevada que a temperatura de fusão do N2.

 

b) A quantidade de CO2 formada é diretamente proporcional à massa de carbono empregada como reagente. Assim, quanto maior a massa de carbono utilizada, maior é a quantidade de dióxido de carbono obtida. 
A densidade (d) de uma substância é dada por: 

d = mV

em que, "m" é a massa de uma amostra da substância e "V" o volume ocupado pela referida porção. 
Dessa forma, considerando os valores de densidades do grafite e do diamante (fornecidos na seção "note e adote"), as relações entre as massas desses materiais e os respectivos volumes são dadas por:

dgrafite = mgrafiteVgrafite mgrafite = 2.Vgrafiteddiamante = mdiamanteVdiamante mdiamante = 3,5.Vdiamante

Utilizando-se um mesmo volume de grafite e diamante (Vdiamante = Vgrafite=V), tem-se:

mgrafite = 2.Vmdiamante = 3,5.V
portanto, para um mesmo volume dos dois sólidos, a massa de grafite é menor que a de diamante, logo, a massa de dióxido de carbono formada na substituição do diamante pelo grafite será menor ao final do processo.



c) A formação de dióxido de carbono pelo experimento proposto pode ser descrita pela equação química global:

C(diamante) +O2 (g)  CO2 (g)

Assim, pela estequiometria da reação, a quantidade de dióxido de carbono (nCO2) formada pela reação de 3 g de diamante, admitindo rendimento de 100% é dada por: 

C(diamante) +O2 (g)  CO2 (g)     1 mol     :  1 mol    :  1 mol     12 g   ------  1 mol       3 g   ------    nCO2            nCO2 = 0,25 mol

Pela equação de Clapeyron, a pressão (p) associada a quantidade de dióxido de carbono gerada na reação, sob temperatura de 27°C (300 K), é:

p.V = n.R.Tp.1 = 0,25.0,082.(27+273)p = 6,15 atm