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Questão 6 Fuvest 2023 - 1ª fase

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Questão 6

Ativa, passiva e reflexiva Pronomes

Luc Boltanski e Ève Chiapello demonstram com clareza e sagacidade a capacidade antropofágica do capitalismo financeiro que “engole” a linguagem do protesto e da libertação para transformá-la e utilizá-la para legitimar a dominação social e política a partir do próprio mercado.

Na dimensão do mundo do trabalho, por exemplo, todo um novo vocabulário teve que ser inventado para escamotear as novas transformações e melhor oprimir o trabalhador. Com essa linguagem aparentemente libertadora, passa-se a impressão de que o ambiente de trabalho melhorou e o trabalhador se emancipou.

Assim houve um esforço dirigido para transformar o trabalhador em "colaborador", para eufemizar e esconder a consciência de sua superexploração; tenta-se também exaltar os supostos valores de liderança para possibilitar que, a partir de agora, o próprio funcionário, não mais o patrão, passe a controlar e vigiar o colega de trabalho. Ou, ainda, há a intenção de difundir a cultura do empreendedorismo, segundo a qual todo mundo pode ser empresário de si mesmo. E, o mais importante, se ele falhar nessa empreitada, a culpa é apenas dele. É necessário sempre culpar individualmente a vítima pelo fracasso socialmente construído.

SOUZA, Jessé. Como o racismo criou o Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2021.


O uso dos verbos “passar” (2º parágrafo) e “tentar” (3º parágrafo) no texto, em sua forma pronominal, revela



a)

adequação à forma analítica da voz passiva.

b)

construção com conjunção integrante.

c)

marcação da impessoalidade do discurso.

d)

informalidade correspondente ao gênero discursivo.

e)

ênfase na reciprocidade da linguagem.

Resolução

No trechos “Com essa linguagem aparentemente libertadora, passa-se a impressão de que o ambiente de trabalho melhorou e o trabalhador se emancipou” e “tenta-se também exaltar os supostos valores de liderança”, o pronome “se” é utilizado para impessoalizar a linguagem. Nos dois casos, o pronome é usado junto de um verbo transitivo direto (passar e tentar, respectivamente) e, desse modo, é formada a voz passiva sintética, também chamada de voz passiva pronominal. Essa estratégia é marcante em um texto acadêmico como esse, em que o autor decide focar em um fenômeno social, e não nos agentes responsáveis pela ação verbal. Sendo assim,

a) Incorreta. A construção não corresponde à voz passiva analítica, mas sim à voz passiva sintética.

b) Incorreta. O termo “se”, nesse caso, não é uma conjunção integrante, e sim um pronome. 

c) Correta. Como dito, o uso do pronome, nesse caso, visa à impessoalidade do texto.

d) Incorreta. O uso do pronome “se” não marca informalidade e, além disso, o gênero discursivo em questão possui um aspecto bastante formal.

e) Incorreta. O pronome “se”, no texto, não marca a voz recíproca.