Logo UNICAMP

Questão 3 Unicamp 2022 - 2ª fase - dia 2

Carregar prova completa Compartilhe essa resolução

Questão 3

Respostas específicas (Imunologia) Evolução

É #FAKENEWS que resultado negativo em teste de anticorpos indique que a vacina Coronavac não funciona. Circula, nos grupos de Whatsapp, um vídeo – de autor não identificado – cujo conteúdo explora conceitos e métodos inexatos de desenvolvimento de vacina, indica remédio sem eficácia comprovada para covid-19 e traz informações incorretas sobre a vacina produzida pelo Butantan.

(Fonte:https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/06/e-mentira-que-resultado-negativo-em-teste-de-anticorpos-indica-que-coronavac-não-funci ona.shtml. Acessado em 31/08/2021.)

a) Qual é a célula responsável pela produção de anticorpos no organismo? Considerando que a resposta imune desenvolvida pela vacinação não depende apenas de anticorpos, explique o mecanismo de resposta imune desconhecido pelo autor do vídeo, incluindo um tipo celular envolvido.

b) A emergência das variantes do SARS-CoV-2 suscitou preocupação quanto à eficácia das vacinas contra as cepas que estão se tornando predominantes na pandemia. Como um exemplo de evolução convergente, a mutação compartilhada N501Y no gene S está presente nas variantes P.1 (Japão), B.1.351 (África do Sul) e B.1.1.7 (Reino Unido). Defina evolução convergente. Do ponto de vista evolutivo, explique por que as variantes estão se tornando predominantes na pandemia.

(Fonte: https://newslab.com.br/as-variantes-do-coronavirus [...]. Acessado em 31/08/2021.)



Resolução

a) A vacina Coronavac é constituída pelo vírus inativado. Quando o sistema imunológico trava contato com o patógeno, a presença de seus antígenos é percebida pelos linfócitos T auxiliadores (CD4+), os quais têm como função a ativação de linfócitos B, presentes principalmente no baço e nos linfonodos do sistema linfático. Após ativados, os linfócitos aumentam de tamanho, criam clones e começam a liberar nos tecidos uma grande quantidade de anticorpos, passando a ser chamados de plasmócitos. Portanto, as células que produzem anticorpos são os plasmócitos, que surgem por diferenciação dos linfócitos B.

Além dos plasmócitos, outras células também são produzidas pela sensibilização do sistema imune. Alguns linfócitos se diferenciam em células de memória e armazenam as informações relacionadas com o antígeno específico. Essas células permitem que, no futuro, a resposta imune baseada em anticorpos seja mais intensa e mais rápida, impedindo a manifestação da doença ou evitando os sintomas mais graves, no caso do contato real com o patógeno. Além da resposta mediada por anticorpos, os linfócitos podem estar relacionados a uma outra modalidade de resposta: os linfócitos T citotóxicos (CD8+), por exemplo, possuem a capacidade de rastrear as células infectadas por vírus com a finalidade de matá-las e impedir que o patógeno complete o seu ciclo replicativo. Portanto, a não identificação de anticorpos em exames clínicos não indica, necessariamente, que a vacina não tenha funcionado, o que desmonta as informações equivocadas veiculadas nos grupos de WhatsApp.

b) Evolução convergente é um fenômeno evolutivo no qual duas espécies ou linhagens, de forma geral filogeneticamente distantes, desenvolvem de maneira independente estruturas semelhantes, que desempenham a mesma função. Essas estruturas semelhantes, que surgiram de forma independente em cada espécie ou linhagem, são chamadas de análogas e não apresentam a mesma origem embrionária (em se tratando de plantas ou animais). A origem das estruturas análogas por evolução convergente é fruto de pressões seletivas similares atuando sobre espécies diferentes que compartilham o mesmo tipo de ambiente. Dois exemplos desse fenômeno são as asas de aves, morcegos e insetos (Figura 1) e os acúleos das roseiras e espinhos dos Citrus.

Figura 1: Evolução convergente em animais alados. Por Victor T. Lourenço.

Conforme os vírus da espécie SARS-CoV-2 se replicam nas células, o seu material genético, constituído por RNA, é duplicado. Porém, erros acontecem durante o processo de replicação pela RNA replicase e, caso não sejam corrigidos, tornam-se mutações, que são passadas para as partículas virais recém-produzidas. Algumas dessas mutações conferem aos vírus características vantajosas, aumentando sua capacidade de reprodução, como está acontecendo com as variantes detectadas nos últimos dois anos. As novas variantes estão se tornando predominantes ao longo do tempo porque estão sendo selecionadas pelo ambiente do corpo humano e pelo ambiente humano externo, desse modo, cepas que apresentam uma taxa de transmissão mais alta, ou seja, cepas que possuem mutações que as tornam mais transmissíveis passam a ser predominantes. Um exemplo, a variante ômicron do SARS-CoV-2 é três vezes mais transmissível entre as pessoas do que a variante delta.