Leia o ensaio “Império reverso”, de Eduardo Giannetti, para responder às questões de 03 a 05.
Império reverso — O filósofo grego Diógenes fez da autossuficiência e do controle das paixões os valores centrais de sua vida: um casaco, uma mochila e uma cisterna de argila no interior da qual pernoitava eram suas únicas posses. Intrigado com relatos sobre essa estranha figura, o imperador Alexandre Magno resolveu conferir de perto. Foi até ele e propôs: “Sou o homem mais poderoso do mundo, peça-me o que desejar e lhe atenderei.” Diógenes [...] não titubeou: “O senhor teria a delicadeza de afastar-se um pouco? Sua sombra está bloqueando o meu banho de sol.” O filósofo e o imperador são casos extremos, mas ambos ilustram a tese socrática de que, entre os mortais, o mais próximo dos deuses em felicidade é aquele que de menor número de coisas carece. Alexandre, ex-pupilo e depois mecenas de Aristóteles, aprendeu a lição. Quando um cortesão zombou do morador da cisterna por ter “desperdiçado” a oferta que lhe caíra do céu, o imperador rebateu: “Pois saiba então você que, se eu não fosse Alexandre, eu teria desejado ser Diógenes.” Os extremos se tocam. — “Querei só o que podeis”, pondera o padre Antônio Vieira, “e sereis omnipotentes.”
(Eduardo Giannetti. Trópicos utópicos, 2016.)
Ao se transpor o trecho “Foi até ele e propôs: ‘Sou o homem mais poderoso do mundo, peça-me o que desejar e lhe atenderei.’” para o discurso indireto, os termos sublinhados assumem as formas:
| a) |
pedisse e atenderia. |
| b) |
pedia e atendia. |
| c) |
pediria e atenderia. |
| d) |
pedisse e atendesse. |
| e) |
pediria e atendesse. |
No discurso direto, a voz do personagem é literal e, por isso, mais próxima da narrativa. Já no discurso indireto, o narrador “fala” pelo personagem e, desse modo, esse tipo de discurso utiliza flexões verbais mais distantes da narrativa.
O primeiro verbo a ser transposto para o discurso indireto é a forma no imperativo “peça”, em que o personagem se dirige diretamente ao seu interlocutor, atribuindo-lhe uma ordem. De maneira geral, os verbos no modo imperativo, ao serem transpostos para o discurso indireto, assumem a forma de pretérito imperfeito do subjuntivo, pois essa flexão traz à narrativa o distanciamento característico desse tipo de discurso, além de garantir, mesmo que de maneira indireta, o tom de ordem exigido pela forma imperativa.
A segunda forma verbal a ser transposta é “atenderei”, que está flexionada no futuro do presente do indicativo. Para se distanciar da narrativa, manter o caráter de posterioridade e respeitar o modo verbal, essa forma, no discurso indireto, deve ser substituída pelo futuro do pretérito do indicativo.
Sendo assim, a formas verbais que substituiriam “peça” e “atenderei” são “pedisse” e “atenderia".