Uma população encontra-se em equilíbrio genético quanto ao sistema ABO, em que 25% dos individuos pertencem ao grupo O e 16%, ao grupo A homozigotos. Considerando que: p = frequência de ; q = frequência de ; e r = frequência de i, espera-se encontrar:
A porcentagem de doadores compatíveis para alguém do grupo B nessa população deve ser de
a) |
11%. |
b) |
19%. |
c) |
26%. |
d) |
36%. |
e) |
60%. |
Esta questão trata de diversos conhecimentos referentes à genética do sistema ABO, transfusões sanguíneas e genética de populações.
O sistema ABO descoberto por Karl Landsteiner no começo do século XX é o principal sistema de diferenciação dos tipos sanguíneos, sendo geneticamente determinado por um gene localizado no cromossomo 9. Este gene apresenta um caso de polialelia, uma vez que possui os alelos IA, IB e i. O alelo IA determina a síntese do aglutinogênio A, o alelo IB determina a síntese do aglutinogênio B, e o alelo i não determina a síntese dos aglutinogênios citados. O aglutinogênio trata de uma glicoproteína localizada na face externa das membranas dos glóbulos vermelhos, células mais abundantes no sangue. Estes aglutinogênios, quando presentes em um outro ser humano, podem ser reconhecidos por glóbulos brancos que irão desencadear uma resposta imune contra estes aglutinogênios. Assim, uma transfusão sanguínea só será bem-sucedida se os aglutinogênios das hemácias do doador não gerarem uma resposta imune no organismo receptor. Para determinar a compatibilidade na transfusão, devemos analisar quais sãos os aglutinogênios do doador e quais anticorpos do receptor. Caso o indivíduo receptor possua anticorpos contra as hemácias do doador, a transfusão não deve ser feita.
Os três alelos (IA, IB e i) citados anteriormente são capazes de determinar os quatro tipos sanguíneos: tipo A, B, AB e O. Assim, dependendo do genótipo para os três alelos, o indivíduo terá um determinado tipo sanguíneo. Veja o quadro abaixo com os genótipos, a relação de aglutinogênios e anticorpos presentes nos tipos sanguíneos do sistema ABO:
Seguindo o raciocínio apresentado e o quadro acima, um indivíduo o tipo B poderá receber sangue de doadores dos tipos B e O, afinal, estes dois tipos sanguíneos não possuem o aglutinogênio A, substância estranha para o indivíduo do tipo B e que geraria uma resposta imune indesejável.
A genética de populações corresponde a uma área da biologia que analisa o comportamento e frequência de genes em populações. No início dos anos 1900, Hardy e Weinberg propuseram um modelo matemático que permite estimar as frequências alélicas e gênicas em uma população em equilíbrio. O princípio afirma que “em uma população infinitamente grande, em que os cruzamentos ocorrem por acaso e sobre a qual não atuam fatores evolutivos, as frequências alélicas e genotípicas permanecem constantes ao longo do tempo”. Uma população em equilíbrio possui as seguintes características:
- populações muito grandes
- populações pan-míticas, ou seja, os cruzamentos são aleatórios e não-preferenciais
- populações que não sofrem ação evolutiva, ou seja, não sofrem os fatores evolutivos como mutação, seleção natural, migração e deriva genética
Para determinar a frequência dos alelos e genótipos em uma população em equilíbrio, utiliza-se as notações a seguir:
Com as informações fornecidas pelo enunciado, tem-se que:
f(IAIA) = p² = 0,16 à p = 0,4
f(ii) = r² = 0,25 à r = 0,5
Se p+q+r=1, portanto, q = 0,1
A frequência de indivíduos B e O, doadores compatíveis para o tipo B, nesta população em equilíbrio será dada por:
f(tipo B) = f(IBIB) + f(IBi) = q² + 2qr = 0,1² + 2*0,1*0,5 = 0,11
f(tipo O) = r² = 0,25
f(doadores compatíveis) = 0,11 + 0,25 = 0,36
a) Incorreta.
b) Incorreta.
c) Incorreta.
d) Correta.
e) Incorreta.