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Questão 61 Enem 2020 - dia 1 - Linguagens e Ciências Humanas

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Questão 61

Hume

Adão, ainda que supuséssemos que suas faculdades racionais fossem inteiramente perfeitas desde o início, não poderia ter inferido da fluidez e transparência da água que ela o sufocaria, nem da luminosidade e calor do fogo que este poderia consumi-lo. Nenhum objeto jamais revela, pelas qualidades que aparecem aos sentidos, nem as causas que o produziram, nem os efeitos que dele provirão; e tampouco nossa razão é capaz de extrair, sem auxílio da experiência, qualquer conclusão referente a existência efetiva de coisas ou questões de fato.

HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Unesp, 2003.

Segundo o autor, qual é a origem do conhecimento humano?



a)

A potência inata da mente.

b)

A revelação da inspiração divina.

c)

O estudo das tradições filosóficas.

d)

A vivência dos fenômenos do mundo.

e)

O desenvolvimento do raciocínio abstrato.

Resolução

A questão pauta um dos temas mais clássicos da história da filosofia: a teoria do conhecimento, que também pode ser chamado de epistemologia ou, mais raramente, gnosiologia. A teoria do conhecimento levanta perguntas semelhantes àquela do enunciado: "qual é a origem do conhecimento humano?" ou, ainda, "como as nossas ideias são geradas"?
Questionamentos como esses, ao decorrer da história da filosofia, tiveram respostas diferentes, a depender do autor. O enunciado do exercício pede para levar em consideração o autor do texto que embasa a questão, a saber, David Hume, filósofo britânico do século XVIII. E, de acordo com ele, a origem do conhecimento humano está na experiência que temos das coisas, experiência essa que é possível através dos nossos sentidos - não por acaso o autor é chamado, comumente, de empirista (apesar dos seus tons de ceticismo).
Nesse viés, a única alternativa que pode ser correta é a alternativa "D". Todas as outras alternativas remetem à racionalidade, à divindade, ao inatismo ou qualquer outro "sinal" de possibilidade de conhecimento a priori, independente da experiência, o que não condiz com a teoria do autor, resumidamente posta nas linhas acima e exemplificada no texto da questão.