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Questão 60 Unicamp 2021 - 1ª fase - 1º dia

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Questão 60

Café no Segundo Reinado

A casa de morar nas fazendas ou o palacete foram em geral construídos a partir de 1870. Representavam o poderio econômico e político do proprietário, assim como o gênero da pintura de paisagem que, segundo o historiador Rafael Marquese, foi mobilizado pela classe senhorial do Vale do Paraíba como uma resposta direta à crise da escravidão negra no Império do Brasil.

(Adaptado de Ana Luiza Martins, “Representações da economia cafeeira: dos barões aos ‘Reis do café’, em Wilma Peres Costa e Ana Betraiz Demarchi Barel (orgs.), Cultura e Poder entre o Império e a República. São Paulo: Alameda, 2018, p. 195.)

A partir do texto acima, é correto afirmar:

 



a)

Os senhores do café incrementaram um sistema de produção cafeeiro moderno que atendia o mercado internacional. Desde a instalação da corte joanina no Brasil, eles investiram nas formas de morar como capital simbólico. 

b)

Na crise capitalista da década de 1870, os produtores de café no Brasil alavancaram o tráfico de escravizados vindos de África e investiram na riqueza simbólica de suas propriedades. 

c)

No Segundo Reinado, com a intensa crise na obtenção de escravizados para as plantações de café e a acirrada disputa na definição das políticas migratórias, os cafeicultores redefiniram seu capital simbólico. 

d)

O investimento nas casas de fazenda e na pintura de paisagem reafirmava a importância social da classe senhorial. Era uma reação política contra a reforma agrária estabelecida na Lei de Terras de 1850.

 

Resolução

a) Incorreta. Não é possível afirmar que os barões de café investiram na forma de morar como capital simbólico "desde a instalação da Corte Joanina", ocorrida em 1808. Além de o texto-base ressaltar que tal prática ganhou força especialmente "a partir de 1870", a própria cafeicultura se expandiu no Brasil a partir do Período Regencial (1831-1840), tornando-se hegemônica ao longo do Segundo Reinado, invalidando a cronologia desta afirmação.

b) Incorreta. O tráfico de escravos não foi alavancado na década de 1870, ao contrário do afirmado. O comércio atlântico de escravizados já tinha sido oficialmente abolido pela lei Eusébio de Queirós, aprovada em 1850. Poucos depois da aprovação dessa legislação, o comércio de escravos oriundos da África cessou no Império, levando os produtores agrícolas a buscarem outras meios de obterem braços para as lavouras, como projetos de imigração ou a aquisição de cativos no tráfico interno ao país.

c) Correta. A crise na obtenção de escravos após a abolição do tráfico exigiu que os proprietários buscassem outras formas de obtenção de braços para suas lavouras. Para além do tráfico interno, que trazia cativos das províncias do Nordeste para serem revendidos nas regiões produtoras de café do Sudeste, as elites do período discutiam acerca de políticas migratórias para o país, implementado e apoiando projetos de particulares, como a iniciativa das "colônias de parceira", implementadas pelo Senador Nicolay Vergueiro, ou a política de imigração subvencionada, propagada especialmente nas décadas finais do século XIX. Concomitante a esse processo de gradativa transformação da sociedade brasileira, as elites cafeicultoras buscavam novos meios de se reafirmar e destacar seu poderio econômico, político e social, como através da imponência de seus bens imóveis ou da posse de valiosas obras de arte, conforme o próprio texto-base do exercício revela.

e) Incorreta. A Lei de Terras de 1850 não buscou implementar um projeto de reforma agrária, isto é, de redistribuição da propriedade fundiária visando à democratização do acesso à terra. Pelo contrário, essa legislação é compreendida como uma medida para garantir que os trabalhadores imigrantes e os escravos alforriados trabalhassem nas grandes propriedades já existentes, em vez de se apossarem de terras sem dono para iniciar seu próprio cultivo. Isso se deu pelo fato de a Lei de Terras definir que a propriedade fundiária só poderia ser adquirida através da compra, proibindo a doação, a herança ou a posse da mesma por pequenos proprietários. A legislação também determinou que as propriedades que não tivessem posse comprovada deveriam se transformar em terras devolutas, isto é, do Estado, colocando em risco a posse de pequenos proprietários privados condições financeiras para regularizar sua condição em todo o Império.