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Questão 2 Fuvest 2026 - 2ª fase - dia 2

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Questão 2

Trabalho no Campo Elétrico Campo elétrico uniforme

Um dos decaimentos radioativos mais relevantes é o decaimento alfa (α), em que um núcleo pesado, como Polônio 210 ou Urânio 235, decai emitindo uma partícula α, que é essencialmente um núcleo de Hélio formado por 2 prótons e 2 nêutrons. Como são partículas eletricamente carregadas, as partículas α podem ser aceleradas/desaceleradas por campos elétricos e/ou magnéticos. Por conta disso, embora sejam emitidas com energias da ordem de MeV, as partículas α perdem (transferem) grande parte dessa energia ao interagir com moléculas e átomos, seja no ar ou em tecidos biológicos.
Nos itens a seguir, considere uma partícula α que foi emitida com energia cinética inicial de 5,30 MeV.
a) Se a partícula α perde energia a uma taxa de 100 keV/μm ao penetrar um tecido biológico como a pele, ela conseguiria atravessar a epiderme, que tem espessura de 0,1 mm? Justifique a sua resposta.
Considere uma situação em que a partícula α está se movendo sob a ação de um campo elétrico uniforme na mesma direção e em sentido oposto à sua velocidade, conforme mostra a figura:

b) Se o campo elétrico tem módulo de 2 x 105 V/m, determine a magnitude da força elétrica que atua sobre a partícula α.
c) Qual a magnitude do campo elétrico necessária para que a partícula α perca 1% de sua energia cinética inicial após percorrer 10 cm sob a ação desse campo?
Note e adote:
Carga do próton: qp=+1,6×10-19 C
1 eV=1,6×10-19 J



Resolução

Consideração inicial

A partícula α é um núcleo de Hélio He2+, composta por 2 prótons e 2 nêutrons. Sua carga elétrica qα é a soma das cargas dos prótons, já que os nêutrons não possuem carga elétrica:

qα=2×qp=2×(+1,6×10-19 C)=+3,2×10-19 C.

a) O problema descreve a perda de energia devido à interação com o meio (tecido biológico) usando uma taxa média de energia perdida por unidade de distância percorrida (poder de penetração). A perda total de energia ΔEperdida ao percorrer uma distância 

d=0,1 mm=100 μm,

é dada por:

ΔEperdida=Taxa×d

ΔEperdida=100 keVμm×100 μm

ΔEperdida=10 000 keV=10 MeV.

Nas passagens acima, consideramos que

1000 keV=103·103 eV=106 eV=10 MeV.

Como a energia total que deveria ser perdida ao atravessar a epiderme 10 MeV é maior do que a energia cinética inicial da partícula, 5300 keV, a partícula α não consegue atravessar a epiderme.

b) A figura e o texto indicam que a partícula α está sob a ação de um campo elétrico E. A força elétrica F que atua sobre uma carga q em um campo elétrico é dada por

F=qE.

A magnitude da força F é dada por

F=qE.

Dado que a carga da partícula α é qα=3,2×10-19 C e a intensidade do campo elétrico é E=2·105 V/m, temos, em unidades do Sistema Internacional,

F=(3,2×10-19 C)×(2×105 V/m)

F=6,4×10-14 N.

A magnitude da força elétrica que atua sobre a partícula α é 6,4×10-14 N.

c) A perda de energia ΔE da partícula é igual ao módulo WF do trabalho realizado pela força elétrica. Como o campo elétrico é oposto ao sentido do movimento, a força elétrica também é oposta ao sentido do movimento pois a partícula possui carga elétrica positiva. Se trata de uma perda de energia cinética, pois a força elétrica é contrária ao deslocamento. Assim,

ΔE=WF=q·U.

Sendo um campo elétrico uniforme, temos que U=E·d, com d=10 cm=0,1 m. Dessa forma, obtemos

ΔE=q·E·DE=ΔEq·D.      (1)

Em joule, a energia inicial da partícula é

E0=5,3 MeV=5,3·106 eV=5,3·106·1,6·10-19 J

E0=8,48·10-13 J.

O valor energia perdida é 1% dessa quantidade, logo

ΔE=1100E0=1100·8,48·10-13=8,48·10-15 J..

Finalmente, substituindo os dados na equação (1), obtemos, em unidades do Sistema Internacional,

E=8,48·10-153,2·10-19·0,1

E=2,65·105 V/m.

A magnitude do campo elétrico necessária é 2,65·105 V/m.