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Questão 1 Unicamp 2026 - 2ª fase - dia 2

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Questão 1

Brasil Colônia

O açúcar era uma das especiarias mais preciosas e luxuosas da Europa pré-moderna. Há séculos, já era processado e refinado a partir da cana na Índia, no Oriente Médio e na Europa meridional sob o domínio árabe. No Mediterrâneo, os venezianos difundiram seu cultivo no século XII. Consumido como remédio e ingrediente culinário, o açúcar era presença marcante nos banquetes aristocráticos europeus. Na época moderna, a demanda pela especiaria cresceu ainda mais, impulsionada pelo seu uso para adoçar bebidas recém-introduzidas, como o café e o chocolate. Com a colonização do Novo Mundo, a produção de açúcar e seu comércio expandiram-se intensamente, como uma das principais commodities do Atlântico no século XVII e elemento central de um sistema de trocas que vinculava a Europa, a África e as Américas. A partir do século XIX, o produto ficou relativamente barato em todo o mundo.

(Adaptado de KERNAN, S. P. Sugar and Power in the Early Modern World. Newberry Library, Collection Essays. Disponível em https://dcc.newberry.org/?p=16944. Acesso em 18/03/2021.)

A partir do excerto, responda aos itens (a) e (b).

a) Aponte um uso dado ao açúcar e seu respectivo significado social no período moderno e um uso e seu significado social no contexto contemporâneo.

b) Considerando o desenvolvimento do capitalismo no norte da Europa na época moderna, cite e explique dois fatores econômicos que mostram como o açúcar esteve relacionado a esse processo.



Resolução

a) Em relação ao uso e significado social do açúcar na Época Moderna (Séculos XV ao XVIII) podemos afirmar, conforme o texto, que a demanda cresceu com o seu uso para adoçar bebidas recém-introduzidas no ambiente europeu, como café e chocolate.

  • Uso: como adoçante para novas bebidas como o café e o chocolate.
  • Significado Social: Devido ao seu alto custo e sua presença em banquetes da elite, o consumo de açúcar era um símbolo de status, riqueza e poder. A capacidade de consumir uma mercadoria tão rara e luxuosa demarcava socialmente a aristocracia e a alta burguesia.

Já em relação ao uso e significado social no Contexto Contemporâneo (a partir do século XIX), o texto indica que o produto "ficou relativamente barato em todo o mundo". Essa mudança de preço alterou radicalmente seu significado social.

  • Uso: Ingrediente de consumo em massa, utilizado diariamente para adoçar alimentos e bebidas, e como matéria-prima essencial para a indústria alimentícia.
  • Significado Social: O açúcar deixou de ser um símbolo de status e tornou-se uma commodity de consumo cotidiano e popular. Seu significado social passou a estar associado à disponibilidade e acessibilidade a todas as classes sociais, integrando-se à dieta básica e à cultura alimentar global.

b) O texto destaca que a produção e o comércio de açúcar se expandiram intensamente com a colonização das Américas, tornando-o uma das principais commodities do Atlântico e um "elemento central de um sistema de trocas que vinculava a Europa, a África e as Américas".  Um fator econômico para tanto, foi o acúmulo de Capital Mercantil e a formação de Companhias Comerciais. A intensa e lucrativa comercialização do açúcar (a partir da produção colonial em larga escala, muitas vezes por meio do sistema de plantation e mão de obra escravizada) gerou um enorme volume de riqueza e capital para a burguesia mercantil e as nações do norte da Europa (como Holanda e Inglaterra) que controlavam o comércio e o refino. Esse acúmulo de capital mercantil foi essencial para o investimento em outras atividades econômicas e para a transição do Mercantilismo para o Capitalismo Industrial. Sabemos que o açúcar foi o principal motor do Comércio Triangular, "sistema de trocas que vinculava a Europa, a África e as Américas" (conforme o texto). Esse sistema representou uma das primeiras e mais complexas formas de integração do mercado global, interligando a oferta de mão de obra (escravizados da África), a produção de commodity (açúcar nas Américas) e o consumo/refino (Europa). A organização dessa logística e a escala de produção e distribuição global são características centrais do capitalismo comercial e de sua expansão inicial, estabelecendo uma rede de interdependência econômica que impulsionou o desenvolvimento das nações controladoras no norte europeu.