O açúcar era uma das especiarias mais preciosas e luxuosas da Europa pré-moderna. Há séculos, já era processado e refinado a partir da cana na Índia, no Oriente Médio e na Europa meridional sob o domínio árabe. No Mediterrâneo, os venezianos difundiram seu cultivo no século XII. Consumido como remédio e ingrediente culinário, o açúcar era presença marcante nos banquetes aristocráticos europeus. Na época moderna, a demanda pela especiaria cresceu ainda mais, impulsionada pelo seu uso para adoçar bebidas recém-introduzidas, como o café e o chocolate. Com a colonização do Novo Mundo, a produção de açúcar e seu comércio expandiram-se intensamente, como uma das principais commodities do Atlântico no século XVII e elemento central de um sistema de trocas que vinculava a Europa, a África e as Américas. A partir do século XIX, o produto ficou relativamente barato em todo o mundo.
(Adaptado de KERNAN, S. P. Sugar and Power in the Early Modern World. Newberry Library, Collection Essays. Disponível em https://dcc.newberry.org/?p=16944. Acesso em 18/03/2021.)
A partir do excerto, responda aos itens (a) e (b).
a) Aponte um uso dado ao açúcar e seu respectivo significado social no período moderno e um uso e seu significado social no contexto contemporâneo.
b) Considerando o desenvolvimento do capitalismo no norte da Europa na época moderna, cite e explique dois fatores econômicos que mostram como o açúcar esteve relacionado a esse processo.
a) Em relação ao uso e significado social do açúcar na Época Moderna (Séculos XV ao XVIII) podemos afirmar, conforme o texto, que a demanda cresceu com o seu uso para adoçar bebidas recém-introduzidas no ambiente europeu, como café e chocolate.
Já em relação ao uso e significado social no Contexto Contemporâneo (a partir do século XIX), o texto indica que o produto "ficou relativamente barato em todo o mundo". Essa mudança de preço alterou radicalmente seu significado social.
b) O texto destaca que a produção e o comércio de açúcar se expandiram intensamente com a colonização das Américas, tornando-o uma das principais commodities do Atlântico e um "elemento central de um sistema de trocas que vinculava a Europa, a África e as Américas". Um fator econômico para tanto, foi o acúmulo de Capital Mercantil e a formação de Companhias Comerciais. A intensa e lucrativa comercialização do açúcar (a partir da produção colonial em larga escala, muitas vezes por meio do sistema de plantation e mão de obra escravizada) gerou um enorme volume de riqueza e capital para a burguesia mercantil e as nações do norte da Europa (como Holanda e Inglaterra) que controlavam o comércio e o refino. Esse acúmulo de capital mercantil foi essencial para o investimento em outras atividades econômicas e para a transição do Mercantilismo para o Capitalismo Industrial. Sabemos que o açúcar foi o principal motor do Comércio Triangular, "sistema de trocas que vinculava a Europa, a África e as Américas" (conforme o texto). Esse sistema representou uma das primeiras e mais complexas formas de integração do mercado global, interligando a oferta de mão de obra (escravizados da África), a produção de commodity (açúcar nas Américas) e o consumo/refino (Europa). A organização dessa logística e a escala de produção e distribuição global são características centrais do capitalismo comercial e de sua expansão inicial, estabelecendo uma rede de interdependência econômica que impulsionou o desenvolvimento das nações controladoras no norte europeu.