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Questão 17 Fuvest 2026 - 1ª fase

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Questão 17

Cidadania (Sociologia) Cidadania e vida pública Sociedade e trabalho

Em março de 2025, postagens em redes sociais digitais discutiram uma tendência verificada entre crianças e adolescentes de utilizar o termo “CLT” como uma ofensa. Na matéria “'Crianças demonizam CLT': carteira assinada vira ofensa entre os jovens”, de Camila Corsini para o UOL, há vários depoimentos em que crianças associam o emprego com CLT a menores rendimentos, à pobreza e ao fracasso profissional, em oposição a ocupações autônomas ou por conta própria, que seriam caminhos para a riqueza. Veja os gráficos com as estimativas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) do IBGE para a distribuição da ocupação por categoria e o rendimento médio mensal real habitual das pessoas para o trimestre compreendido entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025:

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD-C). Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), maio de 2025. Adaptado.

A partir dos dados apresentados no gráfico, é correto afirmar que as associações realizadas por crianças e adolescentes com diferentes formas ocupacionais são fundadas em uma visão de que



a)

os empregadores e trabalhadores autônomos são mais numerosos do que empregados com carteira assinada e, logo, seguir essas ocupações é um caminho mais seguro para a riqueza.

b)

os empregados do setor privado sem carteira e trabalhadores autônomos possuem rendimento médio maior que os empregados com carteira e, logo, estão mais protegidos da pobreza.

c)

os trabalhadores autônomos estão mais protegidos contra os riscos sociais do que aqueles com emprego formal, que tradicionalmente oferece menos direitos.

d)

os empregadores (empresários) têm maiores ganhos e autonomia, o que atrai os jovens a fugir da subordinação da relação de emprego, a qual desprezam, para constituir empresas, ainda que haja menos empregadores do que empregados.

e)

os trabalhadores autônomos com CNPJ, com ganhos superiores aos dos empregados com carteira, são muito numerosos e, logo, a ocupação parece-lhes um caminho para o êxito e a riqueza.

Resolução

a) Incorreta. A afirmação de que “empregadores e trabalhadores autônomos são mais numerosos do que empregados com carteira assinada” contraria os dados de distribuição ocupacional. Os empregados com carteira assinada constituem o maior grupo — cerca de 40 milhões de pessoas — , enquanto os empregadores são o menor contingente.

b) Incorreta. A ideia de que “empregados sem carteira e autônomos têm rendimento médio maior do que empregados com carteira” não se sustenta. Os empregados sem carteira apresentam, historicamente, rendimento inferior ao dos formais, segundo a PNAD-C. Assim, é improvável que a média combinada desses grupos supere a dos trabalhadores com carteira assinada.

c) Incorreta. A afirmação de que “trabalhadores autônomos estão mais protegidos contra riscos sociais” contraria diretamente o significado da CLT. O trabalho formal oferece a maior proteção social — FGTS, seguro-desemprego, férias remuneradas, 13º salário, entre outros — enquanto o trabalho autônomo envolve maior vulnerabilidade e menos garantias legais.

d) Correta. A alternativa reflete o contexto descrito. Empregadores possuem, em média, os maiores rendimentos e maior autonomia, o que corresponde à percepção juvenil de que “ser empresário” é caminho para riqueza e liberdade. Embora numericamente sejam poucos, sua posição de alto retorno explica a rejeição ao trabalho subordinado (CLT) e o desejo de buscar ocupações associadas ao empreendedorismo.

e) Incorreta. Embora autônomos com CNPJ apresentem rendimento médio superior ao dos empregados formais, a afirmação de que são “muito numerosos” é falsa. Os dados de distribuição ocupacional mostram que esse grupo é minoritário em relação aos empregados com carteira.