Em março de 2025, postagens em redes sociais digitais discutiram uma tendência verificada entre crianças e adolescentes de utilizar o termo “CLT” como uma ofensa. Na matéria “'Crianças demonizam CLT': carteira assinada vira ofensa entre os jovens”, de Camila Corsini para o UOL, há vários depoimentos em que crianças associam o emprego com CLT a menores rendimentos, à pobreza e ao fracasso profissional, em oposição a ocupações autônomas ou por conta própria, que seriam caminhos para a riqueza. Veja os gráficos com as estimativas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) do IBGE para a distribuição da ocupação por categoria e o rendimento médio mensal real habitual das pessoas para o trimestre compreendido entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025:
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD-C). Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), maio de 2025. Adaptado.
A partir dos dados apresentados no gráfico, é correto afirmar que as associações realizadas por crianças e adolescentes com diferentes formas ocupacionais são fundadas em uma visão de que
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os empregadores e trabalhadores autônomos são mais numerosos do que empregados com carteira assinada e, logo, seguir essas ocupações é um caminho mais seguro para a riqueza. |
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os empregados do setor privado sem carteira e trabalhadores autônomos possuem rendimento médio maior que os empregados com carteira e, logo, estão mais protegidos da pobreza. |
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os trabalhadores autônomos estão mais protegidos contra os riscos sociais do que aqueles com emprego formal, que tradicionalmente oferece menos direitos. |
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os empregadores (empresários) têm maiores ganhos e autonomia, o que atrai os jovens a fugir da subordinação da relação de emprego, a qual desprezam, para constituir empresas, ainda que haja menos empregadores do que empregados. |
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os trabalhadores autônomos com CNPJ, com ganhos superiores aos dos empregados com carteira, são muito numerosos e, logo, a ocupação parece-lhes um caminho para o êxito e a riqueza. |
a) Incorreta. A afirmação de que “empregadores e trabalhadores autônomos são mais numerosos do que empregados com carteira assinada” contraria os dados de distribuição ocupacional. Os empregados com carteira assinada constituem o maior grupo — cerca de 40 milhões de pessoas — , enquanto os empregadores são o menor contingente.
b) Incorreta. A ideia de que “empregados sem carteira e autônomos têm rendimento médio maior do que empregados com carteira” não se sustenta. Os empregados sem carteira apresentam, historicamente, rendimento inferior ao dos formais, segundo a PNAD-C. Assim, é improvável que a média combinada desses grupos supere a dos trabalhadores com carteira assinada.
c) Incorreta. A afirmação de que “trabalhadores autônomos estão mais protegidos contra riscos sociais” contraria diretamente o significado da CLT. O trabalho formal oferece a maior proteção social — FGTS, seguro-desemprego, férias remuneradas, 13º salário, entre outros — enquanto o trabalho autônomo envolve maior vulnerabilidade e menos garantias legais.
d) Correta. A alternativa reflete o contexto descrito. Empregadores possuem, em média, os maiores rendimentos e maior autonomia, o que corresponde à percepção juvenil de que “ser empresário” é caminho para riqueza e liberdade. Embora numericamente sejam poucos, sua posição de alto retorno explica a rejeição ao trabalho subordinado (CLT) e o desejo de buscar ocupações associadas ao empreendedorismo.
e) Incorreta. Embora autônomos com CNPJ apresentem rendimento médio superior ao dos empregados formais, a afirmação de que são “muito numerosos” é falsa. Os dados de distribuição ocupacional mostram que esse grupo é minoritário em relação aos empregados com carteira.