Observe e analise a obra artística de Cildo Meireles:

Anverso e reverso de Zero Cruzeiro, de Cildo Meireles. Acervo Fundação Cultural Banco Itaú.
Em Zero Cruzeiro, obra criada em 1978,
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a assinatura reproduzida na nota é a do presidente do Banco Central e confere um efeito oficial e realístico à nota Zero Cruzeiro. |
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a indicação do valor nominal sugere a estabilização econômica promovida pelas políticas públicas da época com a diminuição da inflação. |
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a ilustração empregada na composição subverte o culto dos heróis nacionais e introduz a presença de pessoas comuns e anônimas, com frequência desvalorizadas. |
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a obra sugere a indistinção entre a criação artística e a nota de dinheiro, uma vez que ambas têm valor de troca. |
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a imagem exalta a valorização de setores marginalizados que foram beneficiados com as políticas de inclusão social adotadas pelo regime militar. |
Cildo Meireles (1948) é um escultor e pintor brasileiro que se destacou em 1975, quando carimbou em uma nota de cruzeiro (moeda da época) a inscrição "Quem matou Herzog?", em alusão ao caso que chocou o país naquele ano. Já a obra "Zero Cruzeiro" (1978) é uma continuação do projeto "Cédulas" do referido artista. Esta série é um ato de arte conceitual e crítica política/econômica que utiliza a nota de dinheiro como suporte para subverter seus significados.
a) Incorreta. A assinatura (que se parece com o artista e autor da obra "Cildo Meireles") é do próprio artista, e não de uma autoridade oficial, o que reforça o caráter de "falsificação" artística proposital e subversão do documento oficial.
b) Incorreta; O "Zero Cruzeiro" é uma crítica direta à instabilidade e à desvalorização monetária (inflação), que naquela época já estava na casa de 40% ao ano. É também uma crítica à desvalorização do próprio indivíduo, e não uma celebração da estabilização.
c) Correta. Onde normalmente estariam as efígies de heróis ou figuras históricas nacionais (um traço comum nas moedas que visa consolidar a identidade nacional e o poder do Estado), Cildo Meireles insere imagens de pessoas nuas e anônimas em poses que remetem à vulnerabilidade ou à indiferença, subvertendo o que seria esperado em uma nota de dinheiro.
d) Incorreta. A obra faz exatamente o contrário. Ao lhe atribuir valor zero, o artista distingue a nota do dinheiro real. O dinheiro real tem valor de troca; a nota de Meireles, como objeto de arte, tem valor conceitual e crítico, não funcionando como moeda.
e) Incorreta. O regime militar não era conhecido por políticas de inclusão social que beneficiavam marginalizados; pelo contrário, o período foi marcado por repressão, censura e grande desigualdade. A obra é uma crítica a esse sistema.