A área de cobertura vegetal observada no arquipélago das Ilhas Shetlands do Sul, na Antártida, próxima à Península desse continente, aumentou de 0,86 km² em 1986 para 11,95 km² em 2021, indicando uma taxa de mudança acelerada nos últimos anos. Essa tendência ecoa um padrão mais amplo de esverdeamento em ambientes de clima frio, que sugere futuras mudanças generalizadas nos ecossistemas terrestres na Antártida e em seu funcionamento a longo prazo.

Disponível em doi.org/10.1038/s41561-024-01564-5. Adaptado.
O processo de esverdeamento (greening) da área apresentada na imagem, sua evolução temporal desde 1986 e os elementos do texto permitem concluir que
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a construção de bases de pesquisa científica em diferentes pontos da área favorece a presença e a expansão dos musgos na região. |
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ocorre um processo natural de recomposição florística da região impulsionado pela radiação solar demonstrada pelo NDVI e TCG, desde 2016. |
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existe uma evidência da associação do greening à elevação da temperatura do ar e menor cobertura de gelo, demonstrado no gráfico de 2016. |
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os dados temporais de NDVI e TCG permanecem constantes ao longo da série histórica de dados representada para a região. |
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a elevação do nível do mar na região com cada vez menos umidade do ar tem como consequência o processo de greening. |
A questão exige a análise do texto fornecido, que descreve um aumento acelerado na cobertura vegetal no arquipélago das Ilhas Shetlands do Sul, na Antártida, e a sua relação com um padrão mais amplo de "esverdeamento" em ambientes frios.
O conceito de "greening" (esverdeamento) em ecossistemas de clima frio e polar é um indicador bem estabelecido de alterações climáticas. Nessas regiões, o principal fator limitante para o crescimento da vegetação, principalmente a Tundra, é a temperatura e a disponibilidade de água líquida, que está diretamente ligada ao degelo e, consequentemente, à temperatura do ar.
a) Incorreta. O texto não atribui a expansão da vegetação à construção de bases científicas. O aumento de mais de dez vezes na área de cobertura vegetal é um fenômeno de grande escala, que está associado a fatores ambientais globais, não a intervenções humanas localizadas.
b) Incorreta. O termo "processo natural" é inadequado neste contexto, pois o texto enfatiza uma "taxa de mudança acelerada", que sugere uma influência externa (o aquecimento global).
c) Correta. O "esverdeamento" acelerado na Antártida é cientificamente ligado à elevação da temperatura do ar, o que resulta em um período de crescimento mais longo para os musgos e um aumento na disponibilidade de água líquida devido à menor cobertura de gelo. A tendência mencionada no texto "taxa de mudança acelerada nos últimos anos" se alinha com as observações do aquecimento global, que afeta significativamente as regiões polares. A conclusão é a mais coerente com o contexto de mudanças climáticas em ambientes de clima frio.
d) Incorreta. O texto afirma que a área de cobertura vegetal aumentou significativamente (de para ). Se a cobertura vegetal está aumentando, os índices de vegetação como o NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) e TCG (Tasseled Cap Greenness) devem, por definição, demonstrar uma mudança (aumento) e não permanecer constantes.
e) Incorreta. O aumento da vegetação (greening) está associado a uma maior disponibilidade de água líquida, resultante do degelo (causado pelo aumento da temperatura), o que contradiz a ideia de "cada vez menos umidade do ar". Além disso, embora o aumento do nível do mar seja uma consequência das alterações climáticas, a expansão da cobertura vegetal em ambientes terrestres antárticos é mais diretamente correlacionada ao aumento da temperatura e à redução do gelo local.