Em 19 de setembro de 2023, o Azerbaijão lançou uma ofensiva contra a autoproclamada República de Nagorno-Karabakh (RAHK ou Artsakh), um território povoado por armênios sob bloqueio desde dezembro de 2022. Em 28 de setembro de 2023, a RAHK anunciou sua dissolução, que entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2024, após mais de três décadas de existência não reconhecida. Em agosto de 2025, o governo norte americano propôs que a rota de transporte estratégica turco-azerbaijana seja controlada pelos EUA, por 99 anos. Essa proposta ainda está em curso, devido à oposição do Irã.

Reconfiguração geopolítica do Cáucaso (2023). Atlas Géopolitique Mondial, 2025. Adaptado.
Com base no texto, na legenda do mapa e em seus conhecimentos, assinale a alternativa que explica os motivos da ofensiva do Azerbaijão contra os armênios.
| a) |
O território armênio invadido pelo Azerbaijão é estratégico para o comércio de gás e petróleo com a Turquia e a União Europeia (UE) e há um projeto estratégico de transporte, no sul do território invadido, que permitirá uma rota de petróleo, gás e fluxo comercial. |
| b) |
O território no sul da Armênia é de interesse do Irã devido às reservas de hidrocarbonetos, causando vários conflitos com o Azerbaijão, que, ao defender a Armênia, cria enclaves de proteção territorial, resguardando as rotas comerciais até Ierevan, a capital da Armênia. |
| c) |
As bases militares de vários países estão concentradas no território armênio, que é disputado pela Turquia, Estados Unidos da América e Rússia, sendo este último interessado na rota Nagorno-Karabakh, por ser estratégica ao escoamento de sua produção de gás e petróleo para a UE. |
| d) |
O conflito entre Armênia e Azerbaijão força a Turquia a ter neutralidade e, ao mesmo tempo, permite o funcionamento dos gasodutos (TANAP) e oleodutos (BTC), a partir do controle que ela tem das rotas, dos pontos de passagem fechados e das bases militares. |
| e) |
No conflito entre Armênia e Azerbaijão, o corredor de transporte estratégico ao sul do Azerbaijão, associando a ferrovia, escoa toda a sua produção de petróleo, gás e fluxo comercial, conectando o território de Nagorno-Karabakh à Turquia e à área ocupada pela Armênia. |
A questão exige interpretar o texto fornecido e relacioná-lo ao mapa, considerando os elementos geopolíticos associados ao conflito entre Armênia e Azerbaijão, países localizados no Cáucaso (região situada entre Europa Oriental e Oriente Médio). O excerto menciona o bloqueio de Nagorno-Karabakh, a ofensiva de setembro de 2023 e, posteriormente, o interesse estratégico no corredor turco-azerbaijano – cuja relevância é reforçada pelo mapa, que destaca gasodutos, oleodutos e a rota de transporte que conecta Azerbaijão, Naquichevan e Turquia.
Esse conjunto de informações evidencia que a disputa territorial está fortemente vinculada ao controle de rotas energéticas e logísticas que beneficiam o Azerbaijão e seus aliados.
a) Correta. A alternativa está alinhada ao texto e ao mapa. O território anteriormente controlado por armênios e retomado pelo Azerbaijão situa-se em área estratégica para a conexão territorial azeri e para os projetos energéticos que atravessam a região, como o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC) e o gasoduto do Cáucaso do Sul (SCPX–TANAP). A legenda explicita a existência de um projeto de corredor turco-azerbaijano justamente ao sul do território retomado, confirmando que o interesse envolve transporte de petróleo, gás e fluxos comerciais em direção à Turquia e à União Europeia.
b) Incorreta. O texto não aponta interesse iraniano em reservas de hidrocarbonetos no sul da Armênia, e o mapa não indica tais reservas. O Irã se opõe ao corredor por razões geopolíticas – risco de isolamento de sua fronteira com a Armênia – e não por recursos energéticos. A alternativa também distorce a relação do Irã com Armênia e Azerbaijão, pois o atual governo iraniano tenta estabelecer canais de diálogo com ambos em busca de garantir sua influência estratégica sobre esses países.
c) Incorreta. A Armênia possui apenas bases militares internacionais russas, como mostra a legenda. Não há bases americanas ou turcas em território armênio. Além disso, a Rússia não depende de uma rota via Nagorno-Karabakh para escoar petróleo ou gás para a União Europeia. A justificativa apresentada não corresponde ao quadro geopolítico real.
d) Incorreta. A Turquia não é neutra, pois apoia ativamente o Azerbaijão e colaborou militarmente para a ofensiva azerbaijana sobre o território de Nagorno-Karabakh em 2023. A alternativa também atribui à Turquia controle direto sobre gasodutos e pontos de passagem que, na verdade, estão distribuídos entre territórios e infraestruturas sob autoridade azeri ou internacionalmente acordada, não resultando de “neutralidade” turca.
e) Incorreta. O corredor citado não conecta Nagorno-Karabakh à Turquia, mas sim o Azerbaijão continental ao enclave de Naquichevan e, posteriormente, à Turquia. Além disso, a alternativa descreve o escoamento de toda a produção azeri por essa via, o que não corresponde aos gasodutos existentes, que passam majoritariamente ao norte, fora da zona do conflito.