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Questão 56 Fuvest 2026 - 1ª fase

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Questão 56

Sistemática

Aristóteles produziu aquela que é considerada a primeira classificação dos organismos vivos, no mundo ocidental. Nela, considerou principalmente a existência de características compartilhadas para dividir os seres vivos em distintas categorias. Atualmente, a classificação dos seres vivos pauta-se no paradigma da Escola Filogenética (cladística).

Tal escola



a)

também realiza a análise de características compartilhadas entre os diferentes grupos de organismos, buscando identificar ancestrais comuns e relações de parentesco entre eles.

b)

busca as diferenças entre os grupos de seres vivos, agrupando-os exclusivamente com base nessas diferenças, desconsiderando características compartilhadas.

c)

abandona os princípios aristotélicos e adota ideias que propõem que os seres vivos evoluem com o passar do tempo, tornando-se sempre melhores que as gerações anteriores.

d)

determina que os seres vivos se adaptam às condições do meio em que vivem e produzem  descendentes portadores dessas adaptações, de forma sucessiva.

e)

considera que características compartilhadas surgem apenas por convergência adaptativa, ou seja, organismos de linhagens diferentes, em um mesmo ambiente, podem desenvolver características comuns

Resolução

A sistemática filogenética é o método dominante na classificação biológica moderna. Seu objetivo principal é reconstruir a história evolutiva dos organismos, expressando as relações de parentesco entre eles. Para isso, a cladística utiliza um princípio central: o agrupamento de organismos deve ser baseado em características que foram herdadas de um ancestral comum exclusivo do grupo, as chamadas sinapomorfias (características derivadas compartilhadas). Partindo deste conceito, é feita a análise de cada uma das alternativas:

a) Correta. A cladística (Escola Filogenética) realiza a análise detalhada de características compartilhadas (morfológicas e moleculares, por exemplos) com o propósito de distinguir aquelas que refletem uma história evolutiva comum daquelas que surgiram independentemente. A identificação dessas características derivadas permite inferir as relações de parentesco e a existência de ancestrais comuns, estabelecendo grupos monofiléticos (clados). Na abordagem à sistemática denominada cladística, a ancestralidade comum é o principal critério usado para classificar os organismos.

b) Incorreta. A cladística não se baseia em diferenças. Embora as diferenças sejam evidentes e relevantes (por exemplo, na descrição de novas espécies), o agrupamento sistemático (a formação de clados) é determinado pela presença de características compartilhadas e derivadas (sinapomorfias), que atestam a ancestralidade comum exclusiva do grupo. Agrupar apenas por diferenças contraria o princípio monofilético.

c) Incorreta. A Escola Filogenética adota a visão da evolução, mas a ideia de que os seres vivos se tornam "sempre melhores" que as gerações anteriores é um conceito equivocado, finalista e obsoleto, associado a antigas visões, e é rejeitado pela biologia evolutiva moderna. A evolução não implica necessariamente em "melhoria" progressiva, mas sim mudança ao longo do tempo e adaptação.

d) Incorreta. Esta alternativa descreve o mecanismo evolutivo de adaptação. Embora a cladística utilize o quadro teórico da evolução para inferir as relações filogenéticas, o método cladístico em si é a técnica para reconstruir a história dessas adaptações e relações, e não a descrição do mecanismo evolutivo.

e) Incorreta. A cladística reconhece que características compartilhadas podem surgir por convergência adaptativa. No entanto, o papel central da cladística é justamente distinguir as características compartilhadas por convergência daquelas compartilhadas por ancestralidade comum (divergência evolutiva). Se as características compartilhadas surgissem apenas por convergência, seria impossível determinar clados, pois todas as semelhanças seriam 'ruído' evolutivo e não indicariam parentesco, por compartilhamento de ancestral.