A vacina contra a dengue co-desenvolvida pelo Brasil, a Qdenga, começou a ser oferecida pelo SUS em 2024. Indivíduos imunocompetentes recebem vírus atenuados ao serem vacinados, adquirindo imunidade sem ficar doentes. Pessoas com imunodeficiências, indivíduos com HIV sintomático, gestantes e lactantes não podem ser vacinadas. No entanto, estas pessoas podem ser beneficiadas com a vacinação da população, pois
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pessoas não-vacinadas adquirem imunidade por contato com vacinados. |
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mosquitos transmissores da dengue morrem ao picar pessoas vacinadas. |
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vírus atenuados alteram o material genético dos vírus selvagens. |
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as chances de epidemias diminuem quando a cobertura vacinal é alta. |
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pessoas vacinadas liberam anticorpos contra o vírus no ambiente. |
O cerne desta questão é o conceito de imunidade de rebanho, também conhecida como imunidade coletiva que tanto foi abordada no período de pandemia de Covid-19.
Este fenômeno de saúde pública descreve a proteção indireta de uma população não imune (como recém-nascidos ou indivíduos imunocomprometidos) que ocorre quando uma grande porcentagem da população se torna imune a uma doença infecciosa, geralmente por meio da vacinação.
Quando a cobertura vacinal atinge uma grande parcela da população, a circulação do agente infeccioso (o vírus selvagem, neste caso) é dificultada, pois o número de hospedeiros suscetíveis (pessoas que podem ser infectadas e transmitir a doença) diminui drasticamente. Isso protege indiretamente as pessoas que não podem ser vacinadas. A imagem abaixo apresenta, de forma simples, a ideia de imunidade de rebanho (imagem 1).

Imagem 1: imunidade de rebanho. Adaptada de https://www.hopkinsmedicine.org/news/newsroom/news-releases/2020/08/herd-immunity-is-a-dangerous-strategy-for-fighting-covid-19-says-johns-hopkins-expert. Acesso em 23 de nov. de 2025.
A seguir, é apresentada a análise de cada alternativa com base neste princípio:
a) Incorreta. Pessoas não-vacinadas não adquirem imunidade significativa por mero contato com pessoas vacinadas. A imunidade é adquirida arivamente pela exposição ao antígeno (vírus atenuado na vacina) ou pela infecção natural com o vírus selvagem. O benefício para os não-vacinados é a menor exposição ao vírus selvagem na população.
b) Incorreta. A vacina age no sistema imunológico humano, conferindo-lhe proteção. Não há evidência científica de que mosquitos transmissores da dengue morram ao picar pessoas vacinadas. O mosquito Aedes aegypti continua a ser um vetor ativo, mas com o aumento de vacinados, a probabilidade de ele picar um indivíduo doente e depois transmitir o vírus para outra pessoa diminui.
c) Incorreta. O material genético dos vírus atenuados (vírus vacinal) é diferente do vírus selvagem. Eles não se combinam ou alteram o vírus selvagem de forma a torná-lo inofensivo. O vírus selvagem ainda existe, mas tem sua transmissão reduzida pelo processo de vacinação.
d) Correta. Este é o princípio da imunidade de rebanho. Com uma alta cobertura vacinal, a cadeia de transmissão do vírus selvagem é interrompida. O agente infeccioso tem menos hospedeiros para infectar, o que reduz drasticamente a incidência de casos e, consequentemente, o risco de surtos e epidemias. Isso garante uma proteção indireta para aqueles que não puderam ser vacinados, diminuindo a probabilidade de eles entrarem em contato com o vírus.
e) Incorreta. Pessoas vacinadas produzem anticorpos internamente (ou seja, na corrente sanguínea) em resposta ao antígeno da vacina. Esses anticorpos circulam no corpo do indivíduo vacinado e não são liberados no ambiente.