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Questão 81 Fuvest 2026 - 1ª fase

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Questão 81

Forças intermoleculares

    During the nineteen-seventies and eighties, a researcher at the University of Washington started noticing something strange in the college’s experimental forest. For years, a blight of caterpillars had been munching the trees to death. Then, suddenly, the caterpillars themselves started dying off. The forest was able to recover. But what had happened to the caterpillars? The researcher, David Rhoades, who had a background in chemistry and zoology, found that the trees in the forest had changed the chemistry of their leaves, to the detriment of the caterpillars. Even more surprising, trees that had been nibbled by caterpillars weren’t the only ones that had changed their chemistry. Some were changing their leaves before caterpillars reached them, as if they’d received a warning. A shocking possibility presented itself: the trees were signalling to one another.

    Zoë Schlanger recounts Rhoades’s story in her new book, “The Light Eaters: How the Unseen World of Plant Intelligence Offers a New Understanding of Life on Earth.”

    The contemporary world of botany that Schlanger explores in “The Light Eaters” is still divided over the matter of how plants sense the world and whether they can be said to communicate. But, in the past twenty years, the idea that plants communicate has gained broader acceptance. Research in recent decades has shown garden-variety lima beans protecting themselves by synthesizing and releasing chemicals to summon the predators of the insects that eat them; lab-grown pea shoots navigating mazes and responding to the sound of running water; and a chameleonic vine in the jungles of Chile mimicking the shape and color of nearby plants by a mechanism that’s not yet understood.

    Schlanger acknowledges that some of the research yields as many questions as answers. It’s not clear how the vine gathers information about surrounding plants to perform its mimicry.

New Yorker. 12 June 2024. Adaptado.


O processo de comunicação entre plantas discutido no texto pode ocorrer de diversas formas. Uma delas baseia-se na emissão de moléculas por uma planta atacada, chamada de emissor, e a recepção dessas moléculas por uma outra planta, chamada de receptor. Dependendo do tipo de ataque e das espécies envolvidas, essa comunicação pode acontecer tanto por via aérea, quanto por via do solo, facilitada pela água presente.

Considerando os processos de sinalização entre plantas descritos, é correto afirmar:



a)

Na via aérea, os compostos gerados pelo emissor podem ser polares para que possuam uma volatilidade elevada.

 

b)

Na comunicação pelo solo, as moléculas devem ser necessariamente apolares, para que possam ser solubilizadas no meio, atingindo o receptor.

 

c)

As moléculas transportadas por via aérea seriam facilmente solubilizadas no solo por conta da sua baixa polaridade.

 

d)

As moléculas polares geradas pelas folhas são facilmente transportadas pelo solo por conta de suas relativas baixas solubilidades.

 

e)

As moléculas responsáveis pela comunicação por via aérea devem possuir alta volatilidade e baixa polaridade.

Resolução

Consideremos os seguintes princípios químicos:

  • Solubilidade: Moléculas polares são solúveis em solventes polares (como a água) enquanto moléculas apolares (baixa polaridade) são solúveis em solventes apolares.

  • Volatilidade: A tendência de uma substância passar para o estado gasoso. Moléculas com  forças intermoleculares de baixa intensidade (geralmente apolares) tendem a ter alta volatilidade.

As vias de comunicação entre as plantas são:

  1. Via Aérea: O transporte se dá pela atmosfera (ar). Para se propagar de forma eficiente por longas distâncias pelo ar, as moléculas precisam estar no estado gasoso, ou seja, apresentar alta volatilidade. Essa característica está tipicamente associada à baixa polaridade.

  2. Via Solo (facilitada pela água): A água no solo funciona como o solvente principal para o transporte. Para que as moléculas se movam eficientemente dissolvidas na água, elas devem ser polares (possuir afinidade com a água, ou seja, serem hidrofílicas/solúveis em água).

a) Incorreta. A comunicação por via aérea exige alta volatilidade. Moléculas polares possuem fortes interações intermoleculares, conferindo a elas baixa volatilidade. Para ter alta volatilidade, o composto deve ser predominantemente apolar.

b) Incorreta. O transporte pelo solo é facilitado pela água, que é uma substância polar. Para serem solubilizadas e transportadas pela água, as moléculas sinalizadoras devem ser polares (hidrofílicas). Moléculas apolares tendem a ser retidas pela matéria orgânica do solo ou por interações hidrofóbicas.

c) Incorreta. As moléculas transportadas por via aérea devem ter baixa polaridade e alta volatilidade. Moléculas de baixa polaridade (apolares) são dificilmente solubilizadas em solventes polares, como a água presente no solo.

d) Incorreta. Moléculas polares possuem alta solubilidade em água e, por isso, são transportadas pelo solo (meio aquoso). A afirmação erra ao dizer que são transportadas "por conta de suas relativas baixas solubilidades".

e) Correta. As moléculas responsáveis pela comunicação por via aérea (comumente compostos orgânicos voláteis) devem passar facilmente para o estado gasoso, o que exige alta volatilidade. Esta alta volatilidade é característica de moléculas que possuem baixa polaridade, pois as forças intermoleculares são mais fracas, facilitando a vaporização.