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Questão 88 Fuvest 2026 - 1ª fase

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Questão 88

Economia no Segundo Reinado

Entre 1810 e 1850 os debates acalorados giraram em torno do fim do tráfico internacional, da sua legislação, da sua repressão, num impressionante vaivém, ou na famosa expressão: "Para inglês ver”. Até que o comércio internacional de almas fosse extinto em 1850, e na verdade alguns anos depois, muita pressão externa foi necessária. O fim do tráfico não significou a abolição da escravidão, que ainda permaneceria forte por quase quarenta anos.

Lilia M. Schwarcz e Flávio Gomes. “Apresentação”. In: Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. Adaptado.

 

De acordo com o excerto, é correto afirmar:



a)

O fim do tráfico internacional de escravizados em 1850 implicou a substituição da mão de obra africana pela indígena.

b)

Os importadores de escravizados foram duramente prejudicados com a promulgação da lei Feijó de 1831.

 

 

c)

Os debates parlamentares entre os anos 1810 e 1850 defendiam formas de indenização aos proprietários.

 

 

d)

O fim do tráfico internacional após 1850 favoreceu o tráfico interprovincial.

 

 

e)

Os apelos internacionais pela abolição do tráfico revelavam os interesses de imigrantes europeus.

 

Resolução

O excerto destaca dois pontos principais:

  1. O período entre 1810 e 1850 foi marcado por debates e pressões externas ("Para inglês ver") sobre o fim do tráfico internacional.
  2. O comércio internacional de escravizados foi extinto em 1850 (Lei Eusébio de Queirós), mas a escravidão no Brasil permaneceu forte por quase quarenta anos.

a) Incorreta. O fim do tráfico internacional de escravizados em 1850 não implicou a substituição da mão de obra africana pela indígena. Na segunda metade do século XIX, a principal mão de obra que passou a ser utilizada como alternativa à recém-proibida importação foi a já existente (através do tráfico interprovincial) e, posteriormente, a mão de obra de imigrantes europeus (após o incentivo governamental).

b) Incorreta. A lei Feijó de 1831, que declarava livres os africanos que chegassem ao Brasil, foi, como sugere o próprio texto com a expressão "Para inglês ver", amplamente ignorada e não aplicada. O tráfico internacional continuou de forma intensa e lucrativa por quase vinte anos após a sua promulgação. Portanto, os importadores não foram duramente prejudicados pela lei de 1831.

c) Incorreta. Os debates parlamentares no período 1810-1850 giraram majoritariamente em torno da repressão e legalidade do tráfico (sob intensa pressão britânica) e não sobre indenizações. A questão da indenização aos proprietários de escravizados foi um tema central e recorrente, mas ganhou maior destaque nos debates sobre a abolição da própria escravidão (que se daria em 1888), e não necessariamente o foco principal dos debates sobre o fim do TRÁFICO internacional.

d) Correta. A extinção do tráfico internacional de escravizados em 1850 (Lei Eusébio de Queirós) interrompeu a principal fonte de mão de obra para as lavouras, especialmente as regiões em expansão (como o Sudeste, impulsionado pelo café). Com a persistência da escravidão, como o texto afirma, a demanda por escravizados passou a ser suprida internamente, através da intensificação da compra e venda entre as províncias, ou seja, o tráfico interprovincial. Essa transferência de pessoas escravizadas das regiões de economia em declínio (principalmente o Nordeste) para as regiões em ascensão (Sudeste) foi uma consequência direta da Lei de 1850.

e) Incorreta. Os apelos internacionais pela abolição do tráfico, mencionados no excerto como "pressão externa", eram primariamente conduzidos pelo governo da Grã-Bretanha. As motivações britânicas eram complexas, incluindo tanto o movimento abolicionista quanto interesses econômicos em criar um mercado livre e competitivo no Brasil. Tais apelos não eram uma revelação dos interesses de imigrantes europeus, que só chegariam em maior número posteriormente.