TRADUZINDO O JURIDIQUÊS
"Denego a liminar pleiteada na exordial, inobstante após a oitava da parte adversa e da dilação probatória possa lograr alcançar um outro epílogo para o deslinde da quaestio sub examine."
TRADUÇÃO
Não atendo, por ora, a liminar requerida na petição inicial, ainda que possa chegar a uma outra conclusão após ouvir a outra parte e avaliar as provas produzidas.
"Proposta de emenda à Constituição 269 de 2013. Aplica-se aos Governadores e Prefeitos o Regime Geral de Previdência Social, vedada a concessão graciosa, após o término do mandato, de vantagem pecuniária, verba de representação, pensão ou subsídio."
TRADUÇÃO
Torna-se proibido pagar benefícios vitalícios para ex-prefeitos e ex-governadores.
Superinteressante, n. 322, ago. 2013 (adaptado).
Nesse texto, contribui para a construção da ironia a tradução das passagens escritas em "juridiquês" para uma variedade
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padrão, que alcança o público em geral. |
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histórica, que registra a evolução das leis. |
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coloquial, que reproduz as relações sociais cotidianas. |
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erudita, que resgata a origem latina da língua portuguesa. |
| e) |
técnica, que facilita a circulação de informações no sistema judiciário. |
O texto baseia-se no contraste entre dois registros de linguagem: o "juridiquês" (uma variedade altamente formal, técnica e especializada, cheia de termos específicos e latim, como exordial, inobstante, dilação probatória, quaestio sub examine) e a tradução.
A ironia citada no enunciado surge exatamente quando a tradução revela que o conteúdo complexo e obscuro do "juridiquês" corresponde a uma ideia relativamente simples e direta. O elemento fundamental para a construção da ironia, desse modo, é o uso de uma variedade acessível, a padrão, para expor a obscuridade desnecessária da linguagem especializada.
a) Correta. A tradução utiliza o registro padrão da língua portuguesa, que é o registro de maior prestígio social e de maior alcance ao público geral. O contraste entre a variedade técnica e hermética do "juridiquês" e a clareza da variedade padrão, que expõe o significado em linguagem comum, é o que gera o efeito de ironia.
b) Incorreta. A tradução não tem função de registrar a evolução das leis ou da língua, mas sim de simplificar um texto contemporâneo para o leitor.
c) Incorreta. A variedade coloquial é caracterizada pela informalidade e, muitas vezes, pelo uso de gírias e expressões regionais. Embora a tradução seja simples, ela mantém um nível de formalidade que a diferencia da coloquialidade estrita (como o uso de "pra você" em vez de "para você"). O registro mais adequado para a clareza geral é o padrão.
d) Incorreta. A variedade erudita é a que está presente no "juridiquês" original, com o uso de latinismos. A tradução faz o caminho inverso, simplificando e afastando-se do registro erudito.
e) Incorreta. O texto original é o registro técnico do sistema judiciário. A tradução visa exatamente facilitar a circulação de informações para o público leigo, fora do sistema judiciário.