A credulidade dos ouvintes aumenta o descaramento do narrador, e o descaramento deste conquista-lhes a credulidade A eloquência, quando levada a seu patamar mais alto, deixa pouco lugar à razão ou à reflexão, mas, dirigindo-se inteiramente à imaginação e aos afetos, cativa os ouvintes condescendentes e subjuga-lhes o entendimento.
HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Edunesp, 2003.
No contexto do século XVIII, o autor propõe uma reflexão radical acerca da arte da eloquência, restringindo-a ao
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sistema de crenças, conforme a proposta kantiana de objetividade do conhecimento. |
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ampo dos absolutos, semelhante ao entendimento medieval dos Universais. |
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domínio da lógica, consoante a compreensão aristotélica nos Analíticos. |
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paradigma da racionalidade, alinhado ao modelo cartesiano de método. |
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âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas. |
No contexto do século XVIII, Hume analisa a eloquência como uma força que, ao priorizar a imaginação e as emoções, suplanta a razão e a reflexão, subjugando o entendimento dos ouvintes. Essa visão restringe a eloquência ao âmbito da persuasão, associando-a a uma prática manipulativa similar àquela criticada por Platão em sua condenação aos sofistas, que privilegiavam a aparência de verdade e a sedução retórica em detrimento do rigor filosófico e da busca pelo conhecimento verdadeiro.
a) Incorreta. O sistema de crenças kantiano buscava fundamentar o conhecimento na razão e em categorias universais, enquanto Hume, no trecho, descreve justamente a eloquência como algo que contorna a razão.
b) Incorreta. A visão medieval dos Universais tratava de verdades metafísicas e eternas, um conceito oposto à persuasão volúvel e emocional descrita por Hume.
c) Incorreta. Aristóteles, em seus trabalhos acerca da lógica, define o raciocínio lógico e demonstrativo, enquanto Hume situa a eloquência no campo da imaginação e dos afetos, que subjuga o entendimento lógico.
d) Incorreta. Descartes baseava o conhecimento na dúvida metódica e na razão pura, exatamente o que a eloquência, segundo Hume, anula ao cativar a imaginação.
e) Correta. Platão atacava os sofistas por usarem a retórica para persuadir e manipular, não para buscar a verdade, ideia que Hume ecoa ao descrever a eloquência que domina a audiência.