Sinal fechado
Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios...
Oh, não tem de que
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo,
Talvez nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso beber
Alguma coisa rapidamente
Pra semana...
O sinal...
Eu procuro você...
Vai abrir! Vai abrir!
Prometo, não esqueço
Por favor, não esqueça
Não esqueço, não esqueço
Adeus...
PAULINHO DA VIOLA. Foi um rio que passou em minha vida. Rio de Janeiro: Odeon, 1970.
A letra da canção apresenta a permanência de uma situação da vida cotidiana ao destacar a
| a) |
diminuição do comportamento competitivo. |
| b) |
importância da memória coletiva. |
| c) |
redução da mobilidade urbana. |
| d) |
efemeridade dos vínculos de afetividade. |
| e) |
obsolescência dos meios de comunicação. |
A questão proposta é de análise e interpretação de texto, especificamente a letra da canção "Sinal Fechado", de Paulinho da Viola, lançada originalmente para o Festival de Música Popular Brasileira de 1969 e depois regravada por Chico Buarque, em 1974, que buscava com músicas de outros autores, fugir da censura a qual era sempre submetido pela Ditadura Militar. O objetivo da questão é identificar qual característica da vida cotidiana o texto estabelece como uma situação que se mantém permanente no contexto urbano.
O diálogo apresentado na letra é rápido, superficial e ocorre em um momento de pausa forçada, sugerido pelo título e pela menção ao "sinal", que irá "abrir". Diversos trechos evidenciam a imposição do ritmo acelerado da vida moderna sobre as relações pessoais:
A essência da canção é a incapacidade de estabelecer ou manter um vínculo afetivo significativo devido à pressa e à desatenção impostas pelo ritmo da vida na metrópole. Assim, a situação permanente destacada é a fragilidade dos laços pessoais.
Com base nesta análise, procede-se à avaliação das alternativas:
a) Incorreta. A pressa e a menção a "negócios" e a "pegar meu lugar no futuro" sugerem, na verdade, a permanência de um comportamento competitivo e individualista, sendo a pressa o resultado dessa competição.
b) Incorreta. O foco do texto é o encontro fugaz entre dois indivíduos e a dificuldade de conexão no presente, não a importância da memória coletiva para a comunidade.
c) Incorreta. O cenário da canção é marcado pela alta mobilidade urbana ("correndo", "ando a cem"), sendo o sinal vermelho apenas um breve e momentâneo obstáculo. A pressa é a tônica, e não a redução da mobilidade.
d) Correta. A efemeridade dos vínculos de afetividade é o aspecto central da canção. A efemeridade (a qualidade de ser fugaz, passageiro) é representada pela conversa superficial, pela interrupção súbita e pela incapacidade de concretizar um reencontro, refletindo a fragilidade dos laços em meio ao ritmo acelerado da vida urbana.
e) Incorreta. A menção ao "telefone" não é uma crítica à obsolescência do meio de comunicação, mas sim uma forma de adiar o encontro, reforçando a falta de tempo para a interação presencial e genuína. De qualquer forma, as pessoas não utilizam os meios de comunicação para fortalecer seus vínculos, não por estarem obsoletos, mas justamente pela superficialidade das relações sociais nos meios urbanos modernos.