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Questão 51 Enem 2025 - dia 1 - Linguagens e Ciências Humanas

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Questão 51

Idade Contemporânea

Sinal fechado

Olá, como vai?

Eu vou indo e você, tudo bem?

Tudo bem, eu vou indo, correndo

Pegar meu lugar no futuro, e você?

Tudo bem, eu vou indo em busca

De um sono tranquilo, quem sabe?

Quanto tempo...

Pois é, quanto tempo...

Me perdoe a pressa

É a alma dos nossos negócios...

Oh, não tem de que

Eu também só ando a cem

Quando é que você telefona?

Precisamos nos ver por aí

Pra semana, prometo,

Talvez nos vejamos, quem sabe?

Quanto tempo...

 

Pois é, quanto tempo...

Tanta coisa que eu tinha a dizer

Mas eu sumi na poeira das ruas

Eu também tenho algo a dizer

Mas me foge a lembrança

Por favor, telefone, eu preciso beber

Alguma coisa rapidamente

Pra semana...

O sinal...

Eu procuro você...

Vai abrir! Vai abrir!

Prometo, não esqueço

Por favor, não esqueça

Não esqueço, não esqueço

Adeus...

PAULINHO DA VIOLA. Foi um rio que passou em minha vida. Rio de Janeiro: Odeon, 1970.

A letra da canção apresenta a permanência de uma situação da vida cotidiana ao destacar a



a)

diminuição do comportamento competitivo.

b)

importância da memória coletiva.

c)

redução da mobilidade urbana.

d)

efemeridade dos vínculos de afetividade.

e)

obsolescência dos meios de comunicação.

Resolução

A questão proposta é de análise e interpretação de texto, especificamente a letra da canção "Sinal Fechado", de Paulinho da Viola, lançada originalmente para o Festival de Música Popular Brasileira de 1969 e depois regravada por Chico Buarque, em 1974, que buscava com músicas de outros autores, fugir da censura a qual era sempre submetido pela Ditadura Militar. O objetivo da questão é identificar qual característica da vida cotidiana o texto estabelece como uma situação que se mantém permanente no contexto urbano.

O diálogo apresentado na letra é rápido, superficial e ocorre em um momento de pausa forçada, sugerido pelo título e pela menção ao "sinal", que irá "abrir". Diversos trechos evidenciam a imposição do ritmo acelerado da vida moderna sobre as relações pessoais:

  • Frases como "Eu vou indo, correndo", "Me perdoe a pressa" e "Eu também só ando a cem" indicam o ritmo frenético e a falta de tempo.
  • A justificativa "É a alma dos nossos negócios..." sugere que a urgência e o foco no sucesso ou na competição dominam a vida dos indivíduos.
  • O encontro é breve e a conversa é interrompida abruptamente pelo fluxo da cidade ("O sinal... Vai abrir! Vai abrir!").
  • A promessa de um reencontro é vaga e adiada ("Pra semana, prometo, Talvez nos vejamos, quem sabe?"), e há a sensação de palavras perdidas ("Tanta coisa que eu tinha a dizer / Mas eu sumi na poeira das ruas", "Mas me foge a lembrança").

A essência da canção é a incapacidade de estabelecer ou manter um vínculo afetivo significativo devido à pressa e à desatenção impostas pelo ritmo da vida na metrópole. Assim, a situação permanente destacada é a fragilidade dos laços pessoais.

Com base nesta análise, procede-se à avaliação das alternativas:

a) Incorreta. A pressa e a menção a "negócios" e a "pegar meu lugar no futuro" sugerem, na verdade, a permanência de um comportamento competitivo e individualista, sendo a pressa o resultado dessa competição.

b) Incorreta. O foco do texto é o encontro fugaz entre dois indivíduos e a dificuldade de conexão no presente, não a importância da memória coletiva para a comunidade.

c) Incorreta. O cenário da canção é marcado pela alta mobilidade urbana ("correndo", "ando a cem"), sendo o sinal vermelho apenas um breve e momentâneo obstáculo. A pressa é a tônica, e não a redução da mobilidade.

d) Correta. A efemeridade dos vínculos de afetividade é o aspecto central da canção. A efemeridade (a qualidade de ser fugaz, passageiro) é representada pela conversa superficial, pela interrupção súbita e pela incapacidade de concretizar um reencontro, refletindo a fragilidade dos laços em meio ao ritmo acelerado da vida urbana.

e) Incorreta. A menção ao "telefone" não é uma crítica à obsolescência do meio de comunicação, mas sim uma forma de adiar o encontro, reforçando a falta de tempo para a interação presencial e genuína. De qualquer forma, as pessoas não utilizam os meios de comunicação para fortalecer seus vínculos, não por estarem obsoletos, mas justamente pela superficialidade das relações sociais nos meios urbanos modernos.