Logo ENEM

Questão 52 Enem 2025 - dia 1 - Linguagens e Ciências Humanas

Carregar prova completa Compartilhe essa resolução

Questão 52

Primeira Guerra Mundial

Não há consenso em torno do nome dado à pandemia, tendo, desde o seu início, sido chamada de gripe espanhola provavelmente por causa da desinformação em torno da notícia sobre sua origem. Uma das hipóteses deriva da neutralidade espanhola na Primeira Guerra Mundial e a consequente liberdade de imprensa naquele país, maior do que nos demais países envolvidos no conflito. Hoje existe o consenso entre virologistas e epidemiologistas de que o vírus da gripe não se originou na Espanha. Entretanto, dificilmente essa pandemia deixará de ser conhecida como gripe espanhola.

KLAJMAN, C. A gripe sob a ótica da história ecológica. História Revista, n. 3, set.-dez. 2015 (adaptado).

De acordo com o texto, a denominação recebida pela pandemia do começo do século XX foi determinada pelo(a)



a)

precariedade dos conhecimentos da medicina militar.

b)

retaliação da tríplice aliança aos soldados desertores.

c)

controle dos relatos oriundos de campos de batalha.

d)

emprego de armas biológicas em confrontos transnacionais.

e)

circulação de refugiados contaminados em áreas conflagradas.

Resolução

A questão solicita a identificação do fator que, de acordo com o texto, determinou a denominação popular da pandemia do começo do século XX ("gripe espanhola"), ocorrida após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), entre 1918-1920. O texto apresenta a seguinte linha de raciocínio sobre a origem do nome:

  • A pandemia foi chamada de gripe espanhola, "provavelmente por causa da desinformação em torno da notícia sobre sua origem".
  • Uma hipótese para isso deriva da neutralidade espanhola na Primeira Guerra Mundial.
  • Essa neutralidade resultou em uma "consequente liberdade de imprensa naquele país, maior do que nos demais países envolvidos no conflito", fato que fez os jornais locais noticiarem a doença com liberdade, o que não acontecia nos outros países.

O ponto crucial é a diferença na liberdade de imprensa: a Espanha reportava os casos abertamente, enquanto os países em guerra (como França, Reino Unido, Alemanha, etc.) provavelmente censuravam ou minimizavam os relatos de doença para não desmoralizar a população e as tropas. O surto era visível nos jornais espanhóis e suprimido nos jornais dos países combatentes. Assim, a maior visibilidade da doença na Espanha, causada pela liberdade de imprensa, em contraste com a censura nos países em conflito, levou à denominação.

Com base nisso, procede-se à análise das alternativas:

a) Incorreta. A precariedade dos conhecimentos da medicina militar não é mencionada como o fator determinante para o nome. O texto foca na circulação (ou falta dela) de notícias.

b) Incorreta. A retaliação da Tríplice Aliança (referente à Primeira Guerra Mundial) não é citada no texto. O foco é a neutralidade da Espanha e a liberdade de imprensa.

c) Correta. A hipótese central do texto é que a liberdade de imprensa da Espanha foi "maior do que nos demais países envolvidos no conflito". Isso significa que, nos países envolvidos no conflito, havia um controle dos relatos oriundos de campos de batalha (e das áreas civis em guerra) por meio da censura. Esse controle fez com que a Espanha (que não controlava tanto os relatos) parecesse a principal afetada, determinando o nome.

d) Incorreta. O texto não faz menção ao emprego de armas biológicas. O foco é a cobertura midiática da doença. De qualquer forma, não há qualquer comprovação por meio de documentos históricos que a doença que se seguiu ao final da grande guerra foi um produto da utilização de armas biológicas.

e) Incorreta. A circulação de refugiados contaminados pode ter ocorrido, mas o texto não a apresenta como o fator que determinou a denominação da pandemia, concentrando-se, em vez disso, no papel da imprensa livre na Espanha e da censura nos países em guerra.