Adam Smith via o açougueiro e o padeiro não só como indivíduos buscando seus interesses financeiros, mas como pessoas moralmente motivadas dentro de uma sociedade. A base da moral era a empatia e o julgamento, instaurando uma distinção entre o que queremos fazer e o que sentimos que devemos fazer.
COLLIER, P. O futuro do capitalismo. Porto Alegre: LP&M, 2019.
O texto defende uma motivação capitalista para o campo dos negócios, na qual o lucro se mostra associado à
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consolidação do poder político. |
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procura de satisfação subjetiva |
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estruturação do monopólio comercial. |
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percepção de responsabilidade ética. |
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conquista do reconhecimento público. |
A questão é conceitual e exige a interpretação do trecho fornecido sobre a visão de Adam Smith (1723-1790) acerca da motivação dos agentes econômicos no capitalismo. Sabemos que ele era um filósofo da moral e essa temática, associada a questão do desenvolvimento capitalista, observada por ele no final do século 18, se tornou central em seu trabalho. Em 1759, lançou "Teoria dos Sentimentos Morais" ou Ensaio para uma análise dos princípios pelos quais os homens naturalmente julgam a conduta e o caráter, primeiro de seus próximos, depois de si mesmos.
O texto destaca um elemento fundamental na filosofia de Adam Smith, que é a ligação entre o interesse próprio (lucro, no campo dos negócios) e uma dimensão moral ou ética. Segundo o texto, o açougueiro e o padeiro não são motivados apenas por seus interesses financeiros, mas são também "moralmente motivados", baseados na "empatia e o julgamento".
A frase mais relevante para a resolução é: "instaurando uma distinção entre o que queremos fazer e o que sentimos que devemos fazer." O que se "deve fazer" em um contexto social e moral remete diretamente ao conceito de dever ou responsabilidade ética.
Portanto, a resolução deve analisar cada alternativa com base nessa associação explícita entre lucro, moralidade, empatia e dever.
a) Incorreta. A consolidação do poder político não é o foco do texto. A discussão é sobre a motivação moral e ética dos indivíduos (açougueiro e padeiro) em suas atividades comerciais, e não sobre a obtenção de controle político.
b) Incorreta. Embora a satisfação pessoal e o interesse próprio sejam centrais em A Riqueza das Nações, onde o sistema econômico funciona pela busca individual de benefícios — a “mão invisível” —, o texto citado não se baseia nessa lógica. Ele se apoia em A Teoria dos Sentimentos Morais, em que Adam Smith destaca a empatia e o julgamento moral como fundamentos das ações humanas. Assim, o foco aqui não é a “procura de satisfação subjetiva”, mas a consciência do dever moral e da responsabilidade diante dos outros.
c) Incorreta. A estruturação do monopólio comercial é uma questão de estrutura de mercado. O texto, ao citar Adam Smith, está focado na motivação individual e na moralidade do agente econômico, e não em uma falha de mercado como o monopólio.
d) Correta. O texto afirma que os indivíduos são “moralmente motivados” e baseiam suas ações na distinção entre o desejo (“o que queremos fazer”) e o dever (“o que sentimos que devemos fazer”). Essa ideia remete diretamente a A Teoria dos Sentimentos Morais, em que Adam Smith defende que o comportamento econômico deve ser moderado pela empatia e pelo julgamento do “espectador imparcial” — isto é, pela consciência ética. Nesse sentido, o lucro se associa à percepção de responsabilidade ética, integrando o campo econômico (A Riqueza das Nações) à dimensão moral (A Teoria dos Sentimentos Morais).
e) Incorreta. A conquista do reconhecimento público é uma motivação externa (reconhecimento). O texto enfatiza mecanismos internos de regulação moral e social, como a empatia e o julgamento, que são a base de um senso de dever e responsabilidade, e não meramente a busca por validação externa.