O corpo de cidadãos é o poder supremo dos Estados. A supremacia pode residir ou num homem, ou na minoria, ou em todos. Sempre que o Um, ou a Minoria, ou Todos governam, tendo em vista o bem-estar comum, essas constituições são justas; mas se procuram apenas o benefício de uma das partes, seja ela o Um, a Minoria ou Todos, estabelece-se um desvio.
ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
No excerto encontra-se a base da teoria clássica das três formas de governo representadas pela
| a) |
tirania, oligarquia e república. |
| b) |
burocracia, autarquia e império. |
| c) |
ditadura, autocracia e anarquia. |
| d) |
plutocracia, tecnocracia e demagogia. |
| e) |
monarquia, aristocracia e democracia. |
a) Incorreta. A tirania e a oligarquia são, na classificação aristotélica, formas degeneradas (injustas) da monarquia e da aristocracia, respectivamente. A república (Politia) é a forma justa do governo de muitos. A alternativa mistura, portanto, formas justas e injustas, não correspondendo à tríade clássica original.
b) Incorreta. Burocracia, autarquia e império não fazem parte da tipologia aristotélica, que se baseia no número de governantes (um, poucos ou muitos) e na finalidade do governo (bem comum ou interesse particular).
c) Incorreta. Ditadura, autocracia e anarquia descrevem formas de regime político posteriores ou conceitos diferentes da classificação clássica. Em Aristóteles, não há “anarquia” como tipo de governo, mas como ausência dele.
d) Incorreta. Plutocracia (governo dos ricos) e tecnocracia (governo dos técnicos) são designações modernas de regimes baseados em critérios de riqueza ou competência técnica, e não categorias fundamentais na teoria aristotélica.
e) Correta, com ressalvas conceituais. A monarquia, a aristocracia e a democracia correspondem, respectivamente, ao governo de um, de poucos e de muitos, refletindo as três formas fundamentais de governo mencionadas por Aristóteles. No entanto, há um ponto importante: para o filósofo, a forma justa do governo de muitos é a politia (república), enquanto a democracia é o seu desvio, pois visa ao interesse dos pobres, e não ao bem comum. Apesar disso, Aristóteles reconhece que a democracia é o desvio menos ruim, “pouco afastada da forma correspondente”, o que justifica sua associação, ainda que imperfeita, à tríade principal de governos.