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Questão 11 Unesp 2026 - 1ª fase

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Questão 11

Figuras de Linguagem textos literários pleonasmo

Para responder às questões de 07 a 11, leia o primeiro poema da seção intitulada “Homenagem a Ricardo Reis”, da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), publicado originalmente em 1972 no livro Dual.

Não creias, Lídia, que nenhum estio1

Por nós perdido possa regressar

            Oferecendo a flor

            Que adiamos colher.

 

Cada dia te é dado uma só vez

E no redondo círculo da noite

            Não existe piedade

            Para aquele que hesita.

 

Mais tarde será tarde e já é tarde.

O tempo apaga tudo menos esse

            Longo indelével rasto2

            Que o não-vivido deixa.

 

Não creias na demora em que te medes.

Jamais se detém Kronos3 cujo passo

            Vai sempre mais à frente

            Do que o teu próprio passo.

(Sophia de Mello Breyner Andresen. Coral e outros poemas, 2018.)

¹estio: verão.

²rasto: rastro.

³Kronos: do grego khrónos, “tempo”. Na mitologia grega, titã do tempo.


Com a intenção de obter maior expressividade, o eu lírico lança mão de uma construção pleonástica no seguinte verso:



a)

“E no redondo círculo da noite” (2ª estrofe)

b)

“Por nós perdido possa regressar” (1ª estrofe)

c)

“Para aquele que hesita.” (2ª estrofe)

d)

“O tempo apaga tudo menos esse” (3ª estrofe)

e)

“Não creias na demora em que te medes.” (4ª estrofe)

Resolução

Pleonasmo é a figura de linguagem que, para obter efeito expressivo, repete uma ideia já contida em palavra ou expressão do texto.

a) Correta. O pleonasmo ocorre na expressão “redondo círculo”, já que todo círculo é, por definição, redondo. A repetição de sentido é usada intencionalmente, para intensificar a imagem poética da noite como um movimento contínuo e sem fim. Assim, o pleonasmo aqui é recurso estilístico que amplia a expressividade do verso.

b) Incorreta. Há apenas contraste entre “perdido” e “regressar”, o que não configura uma repetição.

c) Incorreta. Trata-se de uma oração simples, sem repetição de sentido.

d) Incorreta. Aqui se aponta uma exceção entre “apaga” e “menos esse (rasto)”, não repetição.

e) Incorreta. Esse verso traz uma metáfora — “medir-se na demora” —, mas não há repetição de sentido.