Até meados do século XIX, a maior parte das pessoas via tanto os humanos quanto os chimpanzés como seres que mantinham, sem qualquer mudança, as formas com as quais haviam surgido. Essa era uma visão de mundo denominada “fixismo”. Outra visão começou a deitar suas raízes em meados do século XVIII, defendendo o papel central da mudança no mundo natural: o “evolucionismo”. As teorias da evolução biológica propõem que os seres vivos que são vistos atualmente nem sempre existiram, nem sempre tiveram a mesma forma e nem sempre existirão. Desde o século XVIII, diversas teorias de evolução biológica foram discutidas, entre elas, as de Buffon e Lamarck. A grande mudança teve lugar ao final da década de 1850 com a apresentação de uma nova teoria evolutiva, de autoria de Charles Darwin, publicada em forma de livro, A origem das espécies. Darwin argumentou que a transformação das espécies ocorria de um modo muito diferente daquele proposto por Buffon, Lamarck e outros evolucionistas anteriores.
(Diogo Meyer e Charbel Niño El-Hani.Evolução: o sentido da biologia, 2005. Adaptado.)
A reorganização do campo da biologia descrito no excerto representa, para a filosofia da ciência,
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a consolidação do modelo explicativo dogmático. |
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o processo sucessivo de ruptura de paradigmas. |
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a conciliação entre as diferentes concepções de vida. |
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o limite dos avanços no campo epistemológico. |
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a rejeição da investigação baseada em evidências. |
a) Incorreta. O texto descreve uma transição do fixismo para o evolucionismo, evidenciando mudança no pensamento científico. Não há menção à consolidação de um modelo dogmático, e sim sua superação. Dogmatismo é a adesão rígida a certas crenças ou doutrinas, sem abertura a questionamentos ou revisões críticas. No contexto científico, representa uma visão contrária à mudança e ao avanço do conhecimento.
b) Correta. A sucessão de teorias, de Buffon e Lamarck a Darwin, exemplifica a teoria de Thomas Kuhn, segundo a qual o avanço da ciência não ocorre de modo linear e cumulativo, mas por rupturas de paradigmas, nas quais uma visão de mundo é substituída por outra.
c) Incorreta. Não há qualquer indício de conciliação entre fixismo e evolucionismo no excerto. A abordagem é de substituição de ideias, não de harmonização entre concepções distintas.
d) Incorreta. O avanço do conhecimento biológico descrito demonstra progresso epistemológico, não um limite. A mudança de paradigmas evidencia a capacidade de evolução da ciência.
e) Incorreta. A teoria de Darwin, considerada um marco científico, foi formulada a partir de ampla observação e coleta de evidências empíricas. Assim, longe de rejeitar a investigação experimental, ela a reafirma como fundamento essencial do conhecimento científico.