TEXTO 1
O uso de inteligência artificial (IA) para tarefas simples e complexas está se tornando cada vez mais comum, mas você já se perguntou se dizer “por favor” e “obrigado” a uma IA afeta a resposta que ela dará? Estudos da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, revelaram que a resposta da IA variava dependendo se a pessoa era gentil ou não. “A linguagem educada na comunicação humana frequentemente gera maior conformidade e eficácia, enquanto a grosseria pode causar aversão, o que afeta a qualidade da resposta”, afirmou o estudo.
(https://oglobo.globo.com, 18.04.2025. Adaptado.)
TEXTO 2
Dizer “obrigada” e “por favor” para o ChatGPT pode aumentar ainda mais os custos de seu funcionamento. A empresa criadora do chatbot, OpenAI, gasta até US$ 700 mil por dia para manter o ChatGPT ativo, e cada resposta consome mais do que só eletricidade: há água, dados e bilhões em jogo. Destacam-se não apenas os custos financeiros, mas também o impacto ambiental dos modelos de inteligência artificial mais avançada do mundo. Modelos como o GPT-4 demandam uma grande infraestrutura computacional para entregar respostas em segundos.
(Tamires Vitorio. https://exame.com, 19.04.2025. Adaptado.)
Os textos 1 e 2 demonstram que as novas dinâmicas da relação entre indivíduo e tecnologia expressam a
| a) |
negação dos impactos materiais da inteligência artificial, reduzindo a experiência dos usuários a um diálogo ético fictício. |
| b) |
emancipação da racionalidade técnica frente às fragilidades ecológicas, direcionada à autonomia dos sistemas artificiais. |
| c) |
assimilação acrítica da inteligência artificial pelos usuários, obscurecendo as implicações éticas e existenciais dessa tecnologia. |
| d) |
neutralidade ética da linguagem digital, reduzida a mero meio funcional entre usuários e algoritmos. |
| e) |
ideia de evolução moral das interações humanas, projetada no digital sem impactos sobre a realidade concreta. |
a) Incorreta. O texto 2 explicitamente detalha os impactos materiais da IA, como custos financeiros e ambientais. Portanto, não há negação desses efeitos, mas sim sua revelação, invalidando a ideia de redução a um diálogo ético fictício.
b) Incorreta. A "emancipação da racionalidade técnica" sugeriria que a IA supera fragilidades ecológicas, mas o texto 2 mostra o oposto: os custos ambientais persistem. O foco está nos limites materiais, não na autonomia dos sistemas.
c) Correta. Os usuários se dirigem à IA com uma linguagem interpessoal — utilizando expressões como “por favor” e “obrigado” —, o que contribui para sua humanização e oculta seus impactos éticos e materiais reais. Essa assimilação acrítica acaba por mascarar as implicações existenciais do uso da tecnologia.
d) Incorreta. A linguagem dirigida à IA não é eticamente neutra, pois influencia suas respostas (texto 1) e gera custos reais (texto 2). Ela funciona como um mediador carregado de valores, não como mero instrumento funcional.
e) Incorreta. A interação marcada pela polidez ou gentileza não configura uma “evolução moral” no âmbito digital, pois o texto 2 contrapõe essa visão ao evidenciar impactos concretos na realidade material. A noção de progresso moral é substituída pela dimensão econômico-ambiental, além de que a resposta da máquina carece de qualquer intencionalidade.