Os conflitos entre Índia e Paquistão se acirraram em 2025, entre outros fatores, pela disputa de recursos hídricos na bacia hidrográfica do rio Indo. Em setembro de 1960, os dois países firmaram o Tratado das Águas do Indo, que regula o uso compartilhado das águas desse sistema fluvial. Ao longo dos anos, a Índia manifestou, em diferentes ocasiões, a intenção de se desvincular do acordo. Em resposta, o governo paquistanês declarou que qualquer tentativa de bloqueio hídrico seria considerada um 'ato de guerra'.
(Adaptado de https://www.nytimes.com/2025/04/24/world/asia/india-pakistan-indus--waters-treaty.html. Acesso em 12/05/2025.)
Para entender o conflito, é fundamental analisar o sentido do f luxo de drenagem na bacia hidrográfica do rio Indo, conforme mostrado pelo mapa a seguir.
Países drenados pela rede hidrográfica do rio Indo
(Elaboração: COMVEST, 2025. Baseado em https://www.aljazeera.com/news/2011 /8/1/kashmir-and-the-politics-of-water. e https://www.hydrosheds.org/. Acesso em 29/06/2025.)
A partir da leitura do mapa e do texto, é correto afirmar que os afluentes
| a) |
são rios drenados para o interior do continente (endorreicos) e escoam em direção à jusante, onde se localizam áreas agrícolas do Paquistão. Por isso, eventuais represamentos pela Índia comprometeriam a economia paquistanesa. |
| b) |
são rios drenados para o oceano (exorreicos) situados na montante do território indiano. Isso permitiria ao Paquistão represar sua vazão e reduzir o abastecimento indiano destinado às atividades agropecuárias e industriais. |
| c) |
são rios drenados para o interior do continente (endorreicos) e correm em direção à jusante, comprometendo as atividades econômicas das áreas urbanizadas do Paquistão que dependem da vazão originada nos afluentes situados na Índia. |
| d) |
são rios drenados para o oceano (exorreicos) situados na montante do Paquistão. Isso permitiria à Índia controlar seu fluxo, afetando as atividades agrícolas paquistanesas e comprometendo a economia do Paquistão. |
A questão exige a análise da relação hidrológica e geopolítica entre Índia e Paquistão na bacia do Rio Indo, baseando-se no texto e na interpretação do mapa de drenagem.
O Rio Indo nasce na China (Tibete), mas seus afluentes cruciais têm suas nascentes e parte significativa de seu curso nas regiões montanhosas controladas pela Índia, antes de adentrar as planícies do Paquistão.
A chave para a resolução está em dois conceitos geográficos e suas implicações geopolíticas: o tipo de drenagem e a relação entre montante (parte mais próxima ao alto curso e às cabeceiras/nascentes do rio) e jusante (parte mais próxima ao baixo curso e à foz do rio).
Drenagem: O Rio Indo deságua no Mar Arábico (oceano). Portanto, a bacia possui drenagem exorreica.
Montante/Jusante: A Índia está na porção de montante (cabeceira) do rio e de seus principais afluentes em relação ao Paquistão, que está na porção de jusante (foz).
Com base nesses fatos, a análise das alternativas é a seguinte:
a) Incorreta. A bacia do Rio Indo possui drenagem exorreica (para o oceano), e não endorreica (para o interior do continente).
b) Incorreta. Embora sejam rios exorreicos, o Paquistão é o país que está a jusante. O país que detém o controle a montante é a Índia. Assim, é a Índia que possui o poder de represar e reduzir o abastecimento paquistanês, e não o contrário.
c) Incorreta. A bacia é exorreica, não endorreica. Além disso, embora o Paquistão dependa da vazão originada na Índia, a classificação do tipo de drenagem está errada.
d) Correta.
Os rios são exorreicos (drenam para o oceano).
Estão situados na montante do Paquistão (ou seja, a Índia está na porção de montante).
A posição a montante permite à Índia (o país que controla essa porção) controlar o fluxo da água.
O controle indiano pode afetar as grandes áreas de irrigação no Paquistão, que são vitais para as atividades agrícolas, comprometendo gravemente sua economia e justificando a ameaça de um "ato de guerra" mencionada no texto.