Em 1937, um golpe de Estado instaurou o Estado Novo no Brasil, um regime autoritário. Diferentes leituras do golpe de Vargas foram publicadas no jornal The New York Times, ilustrando o impacto difuso daquele evento na imprensa. De um lado, escrevendo da Argentina, o chefe dos correspondentes na América Latina, John White, afirmou o caráter “pseudo-fascista” do movimento, registrando a atuação dos censores sobre o trabalho dos correspondentes internacionais que atuavam no Brasil. White destacava o apoio alemão ao novo regime brasileiro e os desafios de centralizar o poder nas mãos de Getúlio Vargas. De outro lado, Frank Garcia, correspondente do The New York Times, que atuava então no Brasil, comentou:
Eu posso dizer que, embora tenha havido censura, eu não tive dificuldades em enviar matérias ao The New York Times. Elas foram telegrafadas sem nenhum problema. Essa nova Constituição configura o Estado um tanto fascista, mas não inteiramente. É mais democrático que fascista. Na verdade, é nacionalista.
(Adaptado de LINS, L.F.T. de S. Notícias de falsos vendavais: o golpe do Estado Novo de 1937 e o discurso de junho de 1940 nos jornais estadunidenses. História: Debates e Tendências, vol. 19, n. 2, p. 332-351, 2019.)
Sobre a repercussão internacional do Golpe do Estado Novo no exterior, podemos afirmar que havia
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percepção unânime do pleno alinhamento ideológico do Brasil com governos fascistas. |
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condenação ao fascismo e sugestão de sanções econômicas em razão do apoio alemão a Vargas. |
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controvérsias e ambiguidades na caracterização ideológica do novo governo Vargas. |
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estratégias de resistência à censura imposta aos jornalistas que atuavam no Brasil. |
a) Incorreta. Embora houvesse, na criação do Estado Novo, um certo alinhamento ideológico ao fascismo, não é possível falar em unanimidade, conforme os textos do enunciado. O correspondente Frank Garcia coloca: "o Estado um tanto fascista, mas não inteiramente. É mais democrático que fascista. Na verdade, é nacionalista". O Correspondente John White colocou como "pseuso-fascista" o movimento do golpe de 1937.
b) Incorreta. Os correspondentes não condenam o regime, apenas o analisam de acordo com suas percepções, muito menos sugerem sanções ao país em virtude da criação do regime e do apoio alemão ao Estado Novo.
c) Correta. Os textos dos correspondentes indicam as controvérsias e ambiguidade ao caracterizar o regime. O classificam como "autoritário", porém, "mais democrático que fascista". Fala em "censura", mas ressalta que não houve dificuldades em "enviar as matérias ao The New York Times". Nacionalismo não é algo que seja opositor à democracia e a fascismo "É mais democrático que fascista. Na verdade, é nacionalista".
d) Incorreta. Em nenhum momento os correspondentes tentam criar estratégias à censura, que segundo o correspondente Frank Garcia não atrapalhava o envio de matérias ao seu jornal, ainda que registrada por eles, logo não fazia sentido criar alguma estratégia à censura vigente, que, em todo caso, não aparece no enunciado.