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Questão 59 Unicamp 2026 - 1ª fase

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Questão 59

Intertextualidade e Interdiscursividade Manifesto

O texto 1 a seguir é a versão do meme Nazaré Confusa no chamado “Estilo Ghibli”, que é abordado no texto 2, publicado por um portal brasileiro dedicado às animações do Studio Ghibli. Leia os dois textos para responder à questão.

Texto 1

Nazaré Confusa no Estilo Studio Ghibli.

(Disponível em https://scc10.com.br/colunistas/um-noob/memes-em-estilo-ghibli-a-nova-febre-que-esta-quebrando-a-internet-e-o-chatgpt/. Acesso em 29/07/2025.)

 

Texto 2

Studio Ghibli vs. IA:

Por que não usar imagens no “Estilo Ghibli”

Por Amanda, editora-chefe e responsável pelo Studio Ghibli Brasil.

    Recentemente, uma tendência tomou conta das redes sociais: usuários utilizando inteligência artificial para transformar suas fotos em imagens que imitam o estilo do Studio Ghibli. A trend ganhou força em março deste ano, com a nova atualização da ferramenta GPT-4.0.

    O Studio Ghibli é reconhecido não apenas por seu estilo visual, mas também por sua filosofia artística e valores profundos. Hayao Miyazaki, um dos fundadores do estúdio, sempre defendeu a arte feita à mão e criticou fortemente o uso excessivo da tecnologia na criação de animações. Em entrevistas, ele expressou preocupação com a mecanização da arte, argumentando que a verdadeira expressividade vem do esforço humano, da emoção e da experiência de vida.

    A tentativa de emular o “estilo Ghibli” por meio da IA entra em conflito direto com esses princípios. A criação de imagens automatizadas baseadas em padrões estatísticos e grandes volumes de dados contrasta com o meticuloso processo artesanal pelo qual os filmes do estúdio são produzidos. Muitos profissionais da indústria da animação e ilustração já expressaram preocupação com a possibilidade de a IA substituir ou minar o valor do trabalho humano na criação artística.     

    Nós acreditamos na autenticidade e na ética de preservar os artistas e seus trabalhos autorais. A inteligência artificial, ao emular o estilo do Studio Ghibli, fere os princípios da animação tradicional do estúdio e desvaloriza o esforço humano por trás dessas obras. A melhor forma de levar o conhecimento sobre o Studio Ghibli adiante é apreciando e divulgando seus trabalhos originais e buscando conhecer cada vez mais sua história e relevância para o mundo da animação.

(Adaptado de https://studioghibli.com.br/2025/04/02/studio-ghibli-vs-ia-porque-nao- -usar-imagens-no-estilo-ghibli/?srsltid=AfmBOoqbHDAfs5C6olUwSRqCzW_YcNrgae5aqqeaTrokiB1yzPh-HP1Y. Acesso em 29/07/2025)

 

Considerando as imagens do texto 1 desta questão, o texto 2 pode ser caracterizado como



a)

uma nota de repúdio às IAs, por simplificarem o conteúdo das produções do Studio Ghibli, que perdem seus traços irreverentes ao serem utilizadas na geração mecânica de imagens.

b)

uma carta aberta para incentivar um boicote às IAs, que permitem construir animações mecanizadas de qualquer imagem e emulam as produções do Studio Ghibli no intuito confundir as pessoas.

c)

um manifesto contrário ao uso de IAs para gerar o estilo Ghibli, por utilizarem recursos automatizados que imitam animações originais do Studio Ghibli, o que desvaloriza a autenticidade artística do estúdio.

d)

uma resenha crítica sobre a forma como as IAs imitam os recursos artesanais do Studio Ghibli para produzir imagens sem identidade autoral, que depreciam o esforço humano.

Resolução

A questão solicita a caracterização do Texto 2 à luz do contexto apresentado no Texto 1, que exibe uma imagem gerada por inteligência artificial (IA) no estilo do Studio Ghibli.

O Texto 2 é um texto de opinião com um título que questiona o uso da IA para imitar o "Estilo Ghibli". Ele discute a postura artística do estúdio, que valoriza o trabalho manual e a "verdadeira expressividade" oriunda do "esforço humano". O texto critica diretamente a IA por criar "imagens automatizadas baseadas em padrões estatísticos" e conclui que isso "fere os princípios da animação tradicional do estúdio e desvaloriza o esforço humano por trás dessas obras". Portanto, o texto traz um posicionamento ético e artístico, com tom de manifesto, contra a tecnologia que imita o estilo artesanal do estúdio.

A seguir, analisa-se cada alternativa:

a) Incorreta. O texto não foca na simplificação do conteúdo ou na perda de "traços irreverentes". O cerne da crítica é o processo de criação (automatizado) em oposição à postura do estúdio (artesanal e ética).

b) Incorreta. O texto incentiva a valorização do trabalho original e critica o uso da IA para emular o estilo. No entanto, não há menção de que o intuito das IAs seja o de confundir as pessoas; a crítica é à desvalorização ética e artística do trabalho humano.

c) Correta. O texto se enquadra como um manifesto contrário ao uso de IAs para gerar o estilo Ghibli. A crítica central é que a IA utiliza recursos automatizados ("padrões estatísticos") para imitar o estilo das animações originais, o que, segundo a autora, desvaloriza a autenticidade artística do estúdio e o esforço humano dos artistas, em clara oposição à filosofia de Hayao Miyazaki.

d) Incorreta. O texto tem um tom mais forte e principiológico do que o de uma simples "resenha crítica", sendo mais apropriado o termo "manifesto" ou "carta aberta". Além disso, ele critica a ausência de autenticidade no processo automatizado e não a mera imitação de "recursos artesanais".