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Questão 65 Unicamp 2026 - 1ª fase

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Questão 65

Canções escolhidas de Cartola Lírico (Gêneros Poéticos)

Leia os versos da canção abaixo e assinale a alternativa correta.

ALVORADA

Alvorada lá no morro, que beleza,

Ninguém chora, não há tristeza,

Ninguém sente dissabor.

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo.

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo.

Você também me lembra a alvorada

Quando chega iluminando

Meus caminhos tão sem vida.

E o que me resta

é bem pouco, quase nada,

do que ir assim vagando

numa estrada perdida.

(CARTOLA. Alvorada. In: Cartola. Rio de Janeiro: Marcus Pereira Discos, 1974.)



a)

O eu-lírico enfatiza a harmonia entre a cena idílica do morro no momento da alvorada e a alegria de sua vida junto à pessoa amada.

b)

O eu-lírico enfatiza um contraste entre a alegria da alvorada no morro e a pobreza das pessoas que habitam aquele espaço.

c)

A alvorada no morro é, para o eu-lírico, como a imagem da pessoa amada, que lhe traz alegria, apesar de sua desilusão e desesperança.

d)

A alvorada no morro funciona, no poema, como imagem do futuro que pode ser transformado pelo amor, apesar das condições de vida difíceis.

Resolução

A canção "Alvorada" estabelece duas comparações centrais e um contraste:

  • Comparação 1: A alvorada (amanhecer) no morro é descrita como um momento de beleza, ausência de tristeza e harmonia ("Ninguém chora, não há tristeza").
  • Comparação 2: A pessoa amada é comparada à alvorada, pois "chega iluminando Meus caminhos tão sem vida."
  • Contraste: O eu-lírico reconhece a alegria e a luz trazidas pela amada, mas contrasta isso com seu estado interior de desilusão e desesperança ("Meus caminhos tão sem vida," "o que me resta é bem pouco, quase nada," "vagando numa estrada perdida"). A alegria da amada é um alívio, mas não elimina a tristeza subjacente de sua vida.

Com base nessa análise, as alternativas são avaliadas:

a) Incorreta. A alternativa afirma que há uma "harmonia entre a cena idílica do morro no momento da alvorada e a alegria de sua vida". A vida do eu-lírico é expressa como o oposto de alegria e harmonia, sendo descrita como "tão sem vida" e "bem pouco, quase nada," o que estabelece um contraste, e não uma harmonia geral, entre o efeito da amada e sua condição existencial.

b) Incorreta. Embora o morro possa sugerir implicitamente um contexto de pobreza, o foco do eu-lírico na primeira estrofe é a ausência de tristeza e dissabor ("Ninguém chora, não há tristeza"). A oposição central do poema é entre a luz da alvorada/amada e a desolação pessoal do eu-lírico, e não um contraste com a pobreza da comunidade.

c) Correta. Esta alternativa resume a estrutura da canção. A alvorada é a metáfora para a pessoa amada (Comparação 2), que traz luz e alegria ("iluminando") para o eu-lírico. Essa luz é percebida "apesar de sua desilusão e desesperança" (o contraste da "estrada perdida" e dos "caminhos tão sem vida"), indicando que a alegria da amada é uma força contra o estado de desolação do eu-lírico, mas não o elimina completamente.

d) Incorreta. A letra não foca na transformação do futuro; ela aborda a condição existencial presente do eu-lírico, que ainda se sente "vagando numa estrada perdida." Além disso, o tema da "condições de vida difíceis" não é o foco explícito da desesperança do eu-lírico; a tristeza é de natureza mais pessoal e existencial.