Leia os versos da canção abaixo e assinale a alternativa correta.
ALVORADA
Alvorada lá no morro, que beleza,
Ninguém chora, não há tristeza,
Ninguém sente dissabor.
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo.
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo.
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida.
E o que me resta
é bem pouco, quase nada,
do que ir assim vagando
numa estrada perdida.
(CARTOLA. Alvorada. In: Cartola. Rio de Janeiro: Marcus Pereira Discos, 1974.)
| a) |
O eu-lírico enfatiza a harmonia entre a cena idílica do morro no momento da alvorada e a alegria de sua vida junto à pessoa amada. |
| b) |
O eu-lírico enfatiza um contraste entre a alegria da alvorada no morro e a pobreza das pessoas que habitam aquele espaço. |
| c) |
A alvorada no morro é, para o eu-lírico, como a imagem da pessoa amada, que lhe traz alegria, apesar de sua desilusão e desesperança. |
| d) |
A alvorada no morro funciona, no poema, como imagem do futuro que pode ser transformado pelo amor, apesar das condições de vida difíceis. |
A canção "Alvorada" estabelece duas comparações centrais e um contraste:
Com base nessa análise, as alternativas são avaliadas:
a) Incorreta. A alternativa afirma que há uma "harmonia entre a cena idílica do morro no momento da alvorada e a alegria de sua vida". A vida do eu-lírico é expressa como o oposto de alegria e harmonia, sendo descrita como "tão sem vida" e "bem pouco, quase nada," o que estabelece um contraste, e não uma harmonia geral, entre o efeito da amada e sua condição existencial.
b) Incorreta. Embora o morro possa sugerir implicitamente um contexto de pobreza, o foco do eu-lírico na primeira estrofe é a ausência de tristeza e dissabor ("Ninguém chora, não há tristeza"). A oposição central do poema é entre a luz da alvorada/amada e a desolação pessoal do eu-lírico, e não um contraste com a pobreza da comunidade.
c) Correta. Esta alternativa resume a estrutura da canção. A alvorada é a metáfora para a pessoa amada (Comparação 2), que traz luz e alegria ("iluminando") para o eu-lírico. Essa luz é percebida "apesar de sua desilusão e desesperança" (o contraste da "estrada perdida" e dos "caminhos tão sem vida"), indicando que a alegria da amada é uma força contra o estado de desolação do eu-lírico, mas não o elimina completamente.
d) Incorreta. A letra não foca na transformação do futuro; ela aborda a condição existencial presente do eu-lírico, que ainda se sente "vagando numa estrada perdida." Além disso, o tema da "condições de vida difíceis" não é o foco explícito da desesperança do eu-lírico; a tristeza é de natureza mais pessoal e existencial.