Logo UNICAMP

Questão 2 Unicamp 2025 - 2ª fase - dia 2

Carregar prova completa Compartilhe essa resolução

Questão 2

Independência dos Estados Unidos

Ao estudar a experiência revolucionária nos EUA de fins do século XVIII, a filósofa Hannah Arendt – na obra Sobre as Revoluções – *afirmou que o fundamental para qualquer compreensão das revoluções na era moderna é a convergência entre a ideia de liberdade e a experiência de um novo início. E, visto que a noção corrente no Mundo Livre é a de que a liberdade, e não a justiça ou a grandeza, constitui o critério supremo para julgar as constituições dos corpos políticos, o grau de nosso preparo para aceitar ou rejeitar tal convergência dependerá não só de nosso entendimento da revolução como também de nossa concepção de liberdade, de origem nitidamente revolucionária.

(*ARENDT, H. Sobre as revoluções. São Paulo: Companhia das letras, 2011.)

 

Com base no texto e em seus conhecimentos, responda às questões a seguir.

a) O que é fundamental, segundo a autora, na experiência revolucionária moderna? Identifique historicamente a dimensão transatlântica deste preceito na fundação dos EUA em fins do século XVIII.

b) Defina a contradição social da noção de liberdade, noção esta que prevaleceu na cultura política e constitucional na fundação dos EUA. Aponte uma mudança sobre a noção de liberdade levada a cabo na Guerra Civil Americana.



Resolução

a) Segundo a filósofa Hanna Arendt (1906-1975), o que há de mais fundamental na experiência revolucionária moderna é “a convergência entre a ideia de liberdade e a experiência de um novo início”. Esses preceitos, fundamentais para a realização da revolução americana (1776), tinham clara influência de ideais oriundos do movimento intelectual europeu do Iluminismo, que já desde o começo do século 18 criticava o poder absolutista dos monarcas europeus e a excessiva influência da Igreja. Assim, os ideais de liberdade, que se tornaram clássicos do pensamento liberal, se fortaleceram na crítica aos poderes do rei e foram apropriados pelos colonos britânicos na América do Norte, que se viam oprimidos pelo rei Jorge III e desejavam se livrar de sua tirania.

b) A contradição social do ideal de liberdade consagrado pela revolução americana se verifica na constatação de que nem todos possuem o mesmo grau de liberdade, pois não tem acesso igualitário a renda e aos direitos civis, caso específico de mulheres, escravos, indígenas e pobres, que nesse sentido, desfrutariam de menos liberdades do que a elite branca do novo país. A Guerra Civil americana (1861-1865) expôs claramente essa contradição, pois os estados escravistas desejavam se separar da União americana justamente temendo que fosse aprovada uma lei de abolição da escravatura por parte do novo presidente Abraão Lincoln. Nesse sentido, a guerra levou a cabo o sentimento de conquista da liberdade da população afro-americana que até aquele momento, aproximadamente 80 anos após a independência, ainda não tinha obtido sua liberdade, justamente o conceito central que havia sido debatido na época da constituição inicial da nação.