“O Censo Demográfico do ano de 2022, do IBGE, revela que há 1.327.802 (0,65% da população total do país) de indivíduos que pertencem a uma comunidade tradicional em todo o país. A maior parte dessa população, 68,2% (905 mil pessoas), vive nos estados do Nordeste brasileiro. Ao todo, os territórios desse grupo estão em 1.696 municípios. O estado da Bahia é a Unidade da Federação com maior quantidade de pessoas, com 29,90% da população, em seguida, vem o Maranhão, com 20,26% dessa população. É a primeira vez ao longo dos levantamentos censitários que este dado é incluído.”
Disponível em https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/. Adaptado.
a) Indique a qual comunidade tradicional o texto faz referência.
b) Aponte dois fatores que contribuem para a presença de 68,2% desse grupo na região Nordeste do Brasil.
c) Indique e explique um fator que contribui para a redução das áreas ocupadas por essas comunidades no Brasil atual.
a) A comunidade retratada no excerto do enunciado é a dos quilombolas.
b) A presença significativa de comunidades quilombolas na região Nordeste do Brasil é resultado, em grande parte, da história da escravidão e da formação de quilombos durante o período colonial. A economia nordestina, centrada na produção de açúcar, demandava uma considerável mão de obra escrava, levando à concentração de africanos escravizados na região. Além disso, ao longo do tempo, as condições sociais e econômicas desfavoráveis, marcadas por pobreza e desigualdades, contribuíram para a persistência dessas comunidades, muitas das quais se estabeleceram em áreas remotas para preservar suas tradições. O reconhecimento oficial e a titulação de terras pelo INCRA também desempenharam um papel fundamental, permitindo que as comunidades quilombolas assegurassem legalmente seus territórios, facilitando a preservação de sua identidade cultural e modos de vida.
c) Um fator que contribui para a redução das áreas ocupadas pelas comunidades quilombolas no Brasil atual é a pressão exercida pelo avanço de determinadas atividades econômicas, especialmente a expansão de atividades agropecuárias e a exploração de recursos naturais. O crescimento econômico e a demanda por terras para agricultura muitas vezes resultam em conflitos fundiários, nos quais as comunidades quilombolas enfrentam a perda de seus territórios tradicionais. A falta de regularização fundiária e o reconhecimento tardio por parte das autoridades competentes deixam essas áreas vulneráveis a invasões e desmatamento ilegal. A ausência de políticas efetivas para proteger os direitos territoriais das comunidades quilombolas contribui para a redução de suas áreas ocupadas, representando uma ameaça à preservação de sua cultura e modos de vida tradicionais.