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Fuvest 2026 - 1ª fase


Questão 1 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Paráfrases Coordenativa Subordinativa

    Pouco antes de eu completar quatro anos de idade, nasceu nossa irmã mais nova, para quem eu escolhera o nome de Maria Bethânia, por causa de uma bela valsa do compositor pernambucano Capiba. Naturalmente todos achavam graça no fato de eu saber cantar canções de gente grande, e mais ainda na minha determinação de nomear minha irmãzinha segundo uma dessas canções. Mas ninguém se sentia com coragem de realmente pôr esse nome “tão pesado” num bebê. Como havia várias outras sugestões (iam de Cristina a Gislaine), meu pai resolveu escrever todos os nomes em pedacinhos de papel que, depois de dobrados, ele jogou na copa de meu pequeno chapéu de explorador e me deu para tirar na sorte. Saiu o da minha escolha. Meu pai então pôs um ar resignado (que era uma ordem para que todos também se resignassem) e disse: “Pronto. Agora tem que ser Maria Bethânia”. E saiu para registrar a recém-nascida com esse nome. Recentemente, ouvi de minhas irmãs mais velhas uma versão que diz que meu pai escrevera Maria Bethânia em todos os papéis. Não é de todo improvável. E, de fato, na expressão resignada de meu pai era visível – ainda hoje o é, na lembrança – um intrigante toque de humor. Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio: essa intervenção do acaso parece conferir mais realidade a tudo o que veio a se passar desde então, pois ela faz crescerem ao mesmo tempo as magias (que nos dão a impressão de se excluírem mutuamente) do presságio e da unicidade absolutamente gratuita de cada acontecimento.

Caetano Veloso. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado.


Caetano Veloso revela sua posição a respeito do fato narrado no fragmento Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio. Assinale a alternativa em que a paráfrase do excerto mantém o mesmo sentido do texto original.



a)

Eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio e sempre tive orgulho de meu pai, mesmo sabendo que ele possa ter trapaceado no sorteio para me agradar.

b)

Me enche de orgulho o pensamento de que meu pai trapaceou, mesmo que eu creia na autenticidade do sorteio para me agradar.

c)

Eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio, mas, mesmo com o pensamento de que meu pai trapaceou para me agradar, tenho orgulho dele.

d)

Uma vez acreditando na autenticidade do sorteio, penso que, para me agradar, meu pai pode ter trapaceado, o que me faz ter um pensamento cheio de orgulho.

e)

Eu, contudo, sempre preferi crer na autenticidade do sorteio, ainda que me encha de orgulho o pensamento de que, a fim de me agradar, meu pai possa ter trapaceado.

Resolução

A questão solicita a paráfrase que mantém o sentido original do excerto: "Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio."

Para resolver a questão, é necessário analisar a relação lógico-semântica estabelecida pelos conectivos na frase original. O conectivo principal é a conjunção subordinativa concessiva "embora", que introduz uma ideia que se opõe ou contrasta com a principal, sem, no entanto, impedir a sua ocorrência. A oração subordinada concessiva é: "embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar" (Apesar de sentir orgulho dessa possibilidade). A oração principal é: "eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio" (Esta é a posição adotada pelo narrador, que se contrapõe ao sentimento de orgulho). O conectivo "Mas", no início da frase, é uma conjunção coordenativa adversativa que introduz todo o período em oposição ao que foi dito antes no parágrafo.

A paráfrase correta deve, portanto, manter a relação de concessão, em que a preferência pela autenticidade do sorteio é o foco principal, e o orgulho pela possível trapaça é a circunstância que se contrasta, mas não impede a preferência.

a) Incorreta. A conjunção coordenativa "e" e a expressão "mesmo sabendo que" modificam a relação original. O "e" coordena as ideias aditivamente, não estabelece a relação de concessão de forma como o "embora". Além disso, o original fala em "pensamento de que meu pai possa ter trapaceado" (possibilidade cogitada por pensamento), não em "mesmo sabendo que ele possa ter trapaceado" (certeza apontada pelo sabendo).

b) Incorreta. A alternativa inverte a relação lógica, colocando o orgulho como ideia principal e a crença na autenticidade como a concessão ("mesmo que eu creia..."). O sentido é alterado.

c) Incorreta. O uso de "mas, mesmo com" torna a estrutura redundante e confusa, pois apresenta sequencialmente as ideias de adversidade e concessão somadas no mesmo segmento. Além disso, a alternativa simplifica a ideia de orgulho (de "orgulho do pensamento" para "tenho orgulho dele") e altera o sentido para um fato ("meu pai trapaceou") em vez de uma possibilidade ("possa ter trapaceado").

d) Incorreta. A expressão "Uma vez acreditando" estabelece uma relação de condição ou tempo, e não de contraste/concessão, alterando radicalmente a ideia original.

e) Correta. A conjunção "contudo" (adversativa) substitui adequadamente o "Mas", conectando o período ao contexto anterior. A conjunção "ainda que" é uma equivalente sinonímica da conjunção subordinativa adverbial concessiva "embora". O restante da frase mantém a oração principal ("sempre preferi crer na autenticidade do sorteio") e a oração concessiva (com a manutenção do grau de possibilidade: "possa ter trapaceado" e o propósito: "a fim de me agradar").

Questão 2 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Pontuação

    Pouco antes de eu completar quatro anos de idade, nasceu nossa irmã mais nova, para quem eu escolhera o nome de Maria Bethânia, por causa de uma bela valsa do compositor pernambucano Capiba. Naturalmente todos achavam graça no fato de eu saber cantar canções de gente grande, e mais ainda na minha determinação de nomear minha irmãzinha segundo uma dessas canções. Mas ninguém se sentia com coragem de realmente pôr esse nome “tão pesado” num bebê. Como havia várias outras sugestões (iam de Cristina a Gislaine), meu pai resolveu escrever todos os nomes em pedacinhos de papel que, depois de dobrados, ele jogou na copa de meu pequeno chapéu de explorador e me deu para tirar na sorte. Saiu o da minha escolha. Meu pai então pôs um ar resignado (que era uma ordem para que todos também se resignassem) e disse: “Pronto. Agora tem que ser Maria Bethânia”. E saiu para registrar a recém-nascida com esse nome. Recentemente, ouvi de minhas irmãs mais velhas uma versão que diz que meu pai escrevera Maria Bethânia em todos os papéis. Não é de todo improvável. E, de fato, na expressão resignada de meu pai era visível – ainda hoje o é, na lembrança – um intrigante toque de humor. Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio: essa intervenção do acaso parece conferir mais realidade a tudo o que veio a se passar desde então, pois ela faz crescerem ao mesmo tempo as magias (que nos dão a impressão de se excluírem mutuamente) do presságio e da unicidade absolutamente gratuita de cada acontecimento.

Caetano Veloso. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado.


No fragmento Mas ninguém se sentia com coragem de realmente pôr esse nome “tão pesado” num bebê, a expressão “tão pesado” aparece entre aspas porque o enunciador



a)

busca realçar o caráter denotativo da expressão, indicando sua concordância com ela.

b)

incorpora a expressão em seu discurso, mas quer caracterizá-la como de autoria alheia.

c)

procura assinalar que se trata de um eufemismo, deixando claro que não teria gostado do nome do bebê.

d)

quer explicitar ao leitor que consiste em um neologismo que demonstra sua afetividade diante da criança.

e)

visa esclarecer, em seu discurso, o significado do nome escolhido.

Resolução

A questão analisa o uso das aspas em torno da expressão "tão pesado" no trecho "Mas ninguém se sentia com coragem de realmente pôr esse nome 'tão pesado' num bebê", questionando a função enunciativa desse recurso.

Para resolver a questão, é preciso observar o contexto do uso das aspas no texto de Caetano Veloso. O autor narra como escolheu o nome "Maria Bethânia" para sua irmã caçula, um nome considerado incomum e formal para um bebê na época. As aspas em torno de "tão pesado" não indicam concordância do narrador com essa avaliação, mas sim que se trata de uma expressão utilizada por outras pessoas - no caso, pelos adultos que achavam o nome inadequado para uma criança.

Na narrativa, Caetano demonstra afeto pelo nome escolhido (ele próprio o escolheu) e celebra a escolha inusitada, o que sugere que as aspas servem para distanciamento enunciativo, ou seja, para marcar como alheia uma expressão que o narrador não compartilha.

a) Incorreta. A expressão é utilizada em sentido conotativo (figurado, referindo-se à solenidade ou inadequação do nome para um bebê), e não denotativo (o peso físico). Além disso, o uso das aspas sugere o distanciamento do narrador em relação ao termo, que representa a opinião das outras pessoas, e não necessariamente sua concordância.

b) Correta. A alternativa identifica corretamente a função das aspas como recurso de distanciamento enunciativo, caracterizando a expressão como de "autoria alheia". Caetano incorpora no seu discurso uma avaliação que pertence ao senso comum ou à opinião geral (dos adultos que julgavam inadequado dar esse nome a um bebê), mas não assume essa avaliação como própria.

c) Incorreta. A expressão não é um eufemismo (recurso que suaviza uma realidade dura), e não há indício no texto de que o narrador não gostasse do nome. Pelo contrário, ele escolheu o nome e comemora a decisão de seu pai em manter a escolha.

d) Incorreta. "Tão pesado" não é um neologismo (palavra nova), mas sim uma expressão comum usada metaforicamente para designar algo solene, formal ou de grande responsabilidade. Além disso, as aspas não são usadas com a função de demonstrar afetividade, mas sim de incorporar uma expressão que representa o ponto de vista de terceiros.

e) Incorreta. As aspas não explicam o significado do nome Maria Bethânia, mas qualificam a percepção social que se tinha desse nome quando aplicado a um bebê.

Questão 3 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Princípio da Casa dos Pombos

Em uma eleição para um conselho composto por 5 membros, existem 7 candidatos inscritos e um total de 35 eleitores. São eleitos os 5 candidatos com mais votos, sendo o critério de desempate a idade, isto é, se houver uma só vaga para dois candidatos que empataram em número de votos, o candidato mais velho é eleito e o mais novo, não. Aleph, que é o mais novo dentre todos os candidatos, está analisando quantos votos precisa para garantir sua eleição.

Sabendo que cada eleitor tem direito a votar em somente um candidato e que, geralmente, nessas eleições, um ou dois dos eleitores não comparecem para votar, pode-se afirmar:



a)

Se um ou dois eleitores não comparecerem, Aleph será eleito se tiver pelo menos 5 votos.

b)

Aleph não será eleito com 5 votos, mesmo que um ou dois eleitores não compareçam

c)

Caso dois eleitores não compareçam, Aleph precisará receber 5 votos para se eleger. Mas, se apenas um eleitor não comparecer, 5 votos não garantem sua eleição.

d)

Na hipótese de dois eleitores não comparecerem, Aleph precisa que um dos eleitos tenha recebido 6 ou mais votos para que ele consiga se eleger com apenas 4 votos.

e)

Na hipótese de apenas um dos eleitores não comparecer, Aleph precisa que dois dos eleitos tenham recebido 6 ou mais votos para que ele consiga se eleger com apenas 4 votos.

Resolução

Aleph é um dos candidados (A), e sejam B, C, D, E, F e G os demais 6 candidatos.

Note que Aleph é o mais novo dentre todos os candidatos, então em caso de empate pelo último eleito, ele perde.

A seguir, analisemos os contraexemplos para as afirmativas falsas.

 

a) FALSA.

Com 34 eleitores (um falta), se apenas um dos demais candidatos ficar com 4 votos e todos os outros ficarem com 5 votos, Aleph não consegue ser eleito.

A B C D E F G
5 4 5 5 5 5 5

O mesmo se aplicaria a 33 eleitores, se B receber apenas 3 votos.

Então, obter 5 votos não é condição suficiente para Aleph se eleger (seja com um ou com dois eleitores ausentes).

 

b) FALSA.

Com 34 eleitores (um falta), se dois candidatos ficarem com 4 votos cada, um terceiro candidato ficar com 6 votos e o demais, incluindo Aleph, ficarem com 5 votos, então Aleph é eleito.

A B C D E F G
5 4 4 6 5 5 5

Então, Aleph pode se eleger com 5 votos, dependendo da distribuição dos demais votos.

 

c) FALSA.

Com 33 eleitores (dois faltam), se Aleph e outros cinco candidatos ficarem com 5 votos e apenas um outro candidato ficar com 3 votos, Aleph não é eleito.

A B C D E F G
5 5 5 5 5 5 3

Além disso, caso Aleph tenha apenas 4 votos, mas outros dois candidatos fiquem com 3 votos, e os demais com 5, 5, 5 e 8 votos, respectivamente, Aleph será eleito.

A B C D E F G
4 3 3 5 5 5 8

Assim, a afirmação "Caso dois eleitores não compareçam, Aleph precisará receber 5 votos para se eleger" é falsa, pois não corresponde nem a uma condição necessária, nem a uma condição suficiente.

 

d) FALSA.

Com 33 eleitores (dois faltam), se Aleph receber 4 votos e nenhum outro receber 6 votos ou mais, Aleph não consegue ser eleito.

A B C D E F G
4 5 5 5 5 5 4

Por outro lado, ao aumentar o voto de outro candidato, não é certeza que Aleph será eleito, como no exemplo a seguir.

A B C D E F G
4 6 5 5 5 4 4

No entanto, Aleph ganha com 4 votos quando outro candidato fica com 14 votos. Neste caso, sobraram 15 votos, que ao distribuirmos ao demais, é impossível que pelo menos quatro deles fiquem com 4 votos cada.

A B C D E F G
4 14 4 4 4 3 0

Portanto, observamos que a condição de outro candidato receber 6 ou mais votos é uma condição necessária, porém não suficiente para a eleição de Aleph. Sendo a suficiência atingida apenas quando outro candidato obtém pelo menos 14 votos.

 

e) FALSA.

Com 34 eleitores (um falta), se dois candidatos ficarem com 6 votos cada e Aleph ficar com 4 votos, ele perde caso outros três candidatos fiquem com 5 votos cada.

A B C D E F G
4 6 6 5 5 5 3

Porém, é possível Aleph se eleger apenas com 4 votos sem que haja outros dois candidatos com 6 ou mais votos. Para tanto, seria suficiente que um dos candidatos tivesse 15 votos, restando outros 15 votos aos restantes, garantindo assim pelo menos o quinto lugar a Aleph.

A B C D E F G
4 15 4 4 4 3 0

Portanto, haver outros dois candidatos com 6 votos ou mais não é condição necessária nem suficiente para Aleph se eleger com 4 votos.

 

Considerando que todas as alternativas trazem afirmações que possuem contraexemplos, sugerimos a anulação da questão.

Questão 4 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Propriedades do logaritmo Probabilidade

O conceito de entropia permeia diversas áreas do conhecimento e foi introduzido na Teoria da Informação por Claude Shannon, que desenvolveu uma forma de calcular a entropia 𝐸 de um sistema, a saber

E=-i Pi(x) log2 Pi (x) 

em que Pi(x) é a probabilidade do i-ésimo resultado para a variável x.

Por exemplo, considere uma sequência com duas letras A coloridas, a primeira azul e a segunda vermelha (AA). Se essas duas letras fossem colocadas numa urna, a probabilidade de se retirar, sem observar, a letra azul, como na sequência original, é 12.Devolve-se a letra à urna e sorteia-se novamente. A probabilidade de sair vermelha é novamente 12, e nesse caso tem-se:

E=-i Pi(x) log2 Pi (x)=- 12log212+12log212=1

Para uma sequência com 4 letras A, as duas primeiras azuis e as duas últimas vermelhas (AAAA), colocando-as numa urna e sorteando uma, a probabilidade de sair azul é 12. Devolve-se a letra e sorteia-se novamente. A probabilidade da segunda letra sorteada ser azul, como na sequência original, é novamente 12. Procedendo dessa forma para as duas letras vermelhas, tem-se:

E=-i Pi(x) log2 Pi (x)=- 12log212+12log212+12log212+12log212=2

Com base nessas informações, qual o valor da entropia 𝐸, no caso de uma sequência com 4 letras A, sendo as 3 primeiras azuis e a última vermelha (AAAA)



a)

5-94log23

b)

12-52log23

c)

32

d)

94log23

e)

3

Resolução

Caso a sequência seja AAAA, em cada sorteio a probabilidade de sair a letra A azul é 34, enquanto a probabilidade de sair a letra A vermelha é 14. Nesse caso, a entropia pode ser calculada por

E=-34·log234+34·log234+34·log234+14·log214

E=-94·log234+14·log214

Como para quaisquer valores positivos x e y, e para qualquer base a do logaritmo, temos

 logaxy=logax-logay

podemos reescrever a entropia da seguinte maneira:

E=-94·log23-log24+14·log21-log24E=-94·log23-2+14·0-2E=-94·log23-92-12E=-94·log23-5E=5-94·log23

Questão 5 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Ligação Iônica Ligação Covalente Ligação Metálica

A difusão de descobertas científicas complexas em linguagens mais acessíveis e lúdicas é uma forma de expor a importância da ciência. Um recente trabalho da Universidade de Würzburg, na Alemanha, que descreveu uma nova ligação tripla entre átomos de B (Boro) e C (Carbono), foi apresentado como se os autores estivessem jogando uma espécie de “bingo das ligações químicas”, conforme a figura a seguir:

“No bingo das ligações químicas, os pesquisadores conseguiram completar a lacuna entre o Boro e o Carbono.” 

Disponível em https://www.tecmundo.com.br/ciencia/. Adaptado.

Adaptando essa ideia, foi feito um jogo para identificar os tipos de ligações entre os elementos Na, K, Ca, Cl, Br e I. Assinale a alternativa que representa a melhor marcação do tipo de ligação formada por esses átomos, seguindo a legenda:

  - ligação iônica;

Ο - ligação covalente;

- ligação metálica.



a)

b)

c)

d)

e)

Resolução

Para classificar o tipo de ligação química que se forma entre os pares de elementos listados (Na, K, Ca, Cl, Br, I) deve-se correlacionar os tipos de elementos com as ligações na legenda fornecida.

O tipo de ligação formada depende da natureza dos átomos envolvidos:

  1. Ligação Iônica (): Ocorre entre um metal (que tende a perder elétrons, formando cátions) e um ametal (que tende a ganhar elétrons, formando ânions).
  2. Ligação Covalente (): Ocorre tipicamente entre dois ametais, através do compartilhamento de elétrons.
  3. Ligação Metálica (): Ocorre entre átomos metálicos, envolvendo a deslocalização de elétrons.

Para os elementos citados, temos:

  • Elementos Metálicos (Metais): Na (Sódio), K (Potássio), Ca (Cálcio).
  • Elementos Não Metálicos (Ametais): Cl (Cloro), Br (Bromo), I (Iodo).

A matriz do "bingo" representa a combinação de todos os pares possíveis entre os seis elementos.

A matriz (colunas e linhas em ordem Na, K, Ca, Cl, Br, I) será dividida em três regiões principais:

  • Combinação Metal-Metal (Na, K, Ca com Na, K, Ca): Todas as combinações nesta região devem formar ligação metálica ().
  • Combinação Ametal-Ametal (Cl, Br, I com Cl, Br, I): Todas as combinações nesta região devem formar ligação covalente ().
  • Combinação Metal-Ametal (Na, K, Ca com Cl, Br, I): Todas as combinações nesta região devem formar ligação iônica ().

O padrão correto, seguindo a ordem dos elementos, deve ser:

  Na K Ca Cl Br I
Na
K  
Ca    
Cl      
Br        
I          

Ao analisar as alternativas apresentadas, a que representa o padrão correto de ligações é a alternativa E.

Questão 6 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Volume (Pirâmide)

Para uma atividade de campo voltada à valorização do patrimônio histórico e cultural, professores de geografia levaram seus estudantes a um parque temático de monumentos geográficos. Eles visitaram a réplica de uma pirâmide regular de base quadrada com vértice a 18 metros de altura em relação ao centro da base. As faces da pirâmide estão voltadas para as direções norte, sul, leste e oeste. Para acessar o vértice da pirâmide, os estudantes precisaram percorrer uma trilha de pedestre e subir a rampa localizada na face norte. A trilha compreende os lados oeste, sul, leste e metade do lado norte do quadrado. Essa rampa está localizada exatamente no meio da face, ou seja, é o apótema da pirâmide.

Sabendo-se que o volume da pirâmide é de 864 m3, quantos metros, aproximadamente, os estudantes tiveram que percorrer para chegar até o topo da pirâmide?



a)

36

b)

41

c)

48

d)

54

e)

61

Resolução

O volume de uma pirâmide regular de base quadrada pode ser calculado por V=13·l2·h, tais que l e h são as medidas do lado do quadrado da base e sua altura, respectivamente.

Neste caso, temos que:

864=13·l2·18864=6l2l2=144

Se l>0, então l=12 m.

 

Na figura a seguir, é destacado o percurso dos estudantes, tais que:

  • ABE é a face oeste;
  • BCE é a face sul;
  • CDE é a face leste;
  • DAE é a face norte.

Seja M o ponto médio da aresta AD.

Então, temos que:

  • AB=BC=CD=12 m;
  • DM=122=6 m.

 

Para determinar EM, apótema da pirâmide, aplicamos o teorema de Pitágoras no triângulo retângulo OEM:

EM2=182+62EM2=360

Como EM>0, então EM=360 m, ou seja, EM=610 m.

 

Portanto, os estudantes tiveram que percorrer para chegar até o topo da pirâmide a distância:

3·12+6+610=42+610 m.

Adotando 103,16, encontramos:

42+6·3,16=42+18,96=60,96 m.

Questão 7 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Arco Duplo

Considere a equação trigonométrica

senπ2+senx=sen(2x)-cosπ

para x, 0x<2π.

Um estudante resolveu essa equação da seguinte maneira:

senπ2+senx=sen(2x)-cosπ

1+senx=sen2x+1

senx=sen2x

senx=2senx

2senx-senx=0

senx=0

x= 0 ou x=π

A resolução apresentada pelo estudante está errada, pois ele



a)

considerou que cosπ vale 1.

b)

não considerou as infinitas voltas no ciclo trigonométrico para a resposta.

c)

considerou que senπ2 vale 1.

d)

não utilizou corretamente o seno da soma de dois arcos.

e)

apresentou duas respostas e não apenas uma.

Resolução

A resolução comete o erro por não utilizar corretamente o seno da soma de dois arcos.

Da segunda para a terceira linhas, além de cancelar os termos +1 em cada lado da equação, há também a substituição sen2x=2senx.

Tal substituição está equivocada pois, para quaisquer arcos a, b, temos

sena+b=sena·cosb+senb·cosa

Então, para a=b=x, resulta que

sen2x=senx·cosx+senx·cosx

sen2x=2·senx·cosx

A continuação correta da equação, a partir da terceira linha, deveria ser

senx=2senxcosxsenx·1-2cosx=0senx=0  ou  cosx=12

Considerando o intervalo 0x<2π, teríamos:

  • senx=0x=0 ou x=π
  • cosx=12x=π3 ou x=5π3

Assim, essa equação teria 4 soluções distintas no intervalo 0x<2π

Questão 8 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Variação Linguística social Preconceito Linguístico

    A escola não pode ignorar as diferenças sociolinguísticas. Os professores e, por meio deles, os alunos têm que estar bem conscientes de que existem duas ou mais maneiras de dizer a mesma coisa. E mais, que essas formas alternativas servem a propósitos comunicativos distintos e são recebidas de maneira diferenciada pela sociedade. Os alunos que chegam à escola falando “nós cheguemu”, “abrido” e “ele drome”, por exemplo, têm que ser respeitados e ver valorizadas as suas peculiaridades linguístico-culturais, mas têm o direito inalienável de aprender as variantes de prestígio dessas expressões. Não se lhes pode negar esse conhecimento, sob pena de se fecharem para eles as portas, já estreitas, da ascensão social.

BORTONI-RICARDO, S. M. Nós cheguemos na escola, e agora? Sociolinguística & Educação. São Paulo: Parábola, 2005. Adaptado.

De acordo com o texto, cabe aos professores



a)

respeitar as variações linguísticas dos alunos, mas solicitar que eles utilizem a norma culta no ambiente escolar.

b)

incentivar o uso das variações regionais dos alunos, mas mostrar a eles que a escola recebe variantes de forma preconceituosa.

c)

respeitar as particularidades linguísticas dos alunos, mas dar a eles condições de aprender outras variantes.

d)

mostrar aos alunos que eles podem cometer erros em relação ao uso de verbos, mas que isso pode ser prejudicial à ascensão social.

e)

ensinar aos alunos a norma padrão da língua, mas permitir que eles cometam erros para não serem excluídos pela sociedade.

Resolução

a) Incorreta. Embora mencione o respeito às variações linguísticas, o trecho "mas solicitar que eles utilizem a norma culta no ambiente escolar" sugere uma imposição de uso, o que pode ser interpretado como uma substituição da variante do aluno pela variante culta, e não a adição de um novo repertório para uso em contextos sociais distintos. O texto foca no direito de aprender outras variantes, não em uma exigência de uso da norma culta na escola.
b) Incorreta. O texto defende o respeito e a valorização, não necessariamente o incentivo irrestrito ao uso das variações regionais em todos os contextos, pois deve-se equilibrar isso com o ensino da variante de prestígio. Além disso, o texto afirma que as formas são "recebidas de maneira diferenciada pela sociedade", e não que a escola as recebe de forma preconceituosa. 
c) Correta. De acordo com o texto, o professor tem uma dupla responsabilidade: respeitar as particularidades linguísticas dos alunos (promovendo o respeito e a valorização da bagagem do aluno) e dar a eles condições de aprender outras variantes (garantindo o acesso ao conhecimento da variante de prestígio, essencial para a ascensão social). 
d) Incorreta. A perspectiva sociolinguística adotada no texto não considera como "erros" as peculiaridades do aluno (como "nós cheguemu"), tratando-as como formas alternativas ou variantes. Além disso, a função do professor é garantir o aprendizado das variantes de prestígio, e não apenas "mostrar que eles podem cometer erros".
e) Incorreta. O texto afirma que formas como “nós cheguemu”, “abrido” e “ele drome” não são erros, mas variações linguísticas legítimas que fazem parte da identidade sociocultural dos alunos. É defendido que essas variantes devem ser respeitadas e que os alunos têm direito de aprender também as variantes de prestígio, não porque sua fala é errada, mas porque a sociedade atribui maior valor social a essas formas. A afirmação da alternativa pressupõe que o professor “permita que eles cometam erros”, reforçando uma visão normativa e preconceituosa, distante da ideia central do texto.

Questão 9 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Sociologia de Durkheim Nísia Floresta

Em meados do século XIX, Nísia Floresta publicou no Brasil seu Opúsculo Humanitário, uma ardente defesa da educação como meio para eliminar os obstáculos que impediam as mulheres de contribuir, em condições de igualdade com os homens, com a sociedade brasileira. Para tanto, contrapõe o estado da educação das mulheres nas nações ditas civilizadas e cultas ao péssimo estado da educação, pública e privada, religiosa e laica no Brasil, assumindo que a educação é uma expressão do grau de civilização das nações e muito influente sobre sua moralidade. Meio século mais tarde, Émile Durkheim dedicou duas obras à educação escolar: Educação e Sociologia e A Educação Moral. Nelas, o sociólogo francês concebe a escola como um espaço de transmissão da civilização às novas gerações por meio da sua socialização nos sentimentos, ideias e valores da sociedade, além da promoção da solidariedade com as múltiplas sociedades das quais participamos e com a humanidade como um todo. Ao funcionar como uma forma de vinculação às normas sociais por meio de uma compreensão racional da moralidade que subjaz a esses sentimentos, ideias e valores, a escola seria também um espaço de produção de autonomia. Mas, para que assim seja, esses sentimentos, ideias e valores deveriam ser justificáveis exclusivamente pela razão, sem invocar princípios religiosos, que são exclusivistas. É correto afirmar que em seus escritos sobre educação, Durkheim e Floresta convergem ao



a)

reafirmar a importância dos valores religiosos da sociedade na educação como um projeto moralizante, ainda que critiquem a educação católica.

b)

conceber a educação das mulheres como manifestação de uma lei necessária do progresso das nações, expressão do positivismo dos autores.

c)

indicar a função da escola de integrar seus estudantes às normas e valores morais característicos de uma sociedade para permitir que com ela contribuam.

d)

justificar uma educação escolar segregada de grupos menos integrados socialmente, como as mulheres, em virtude de normas e valores da sociedade.

e)

defender uma educação com caráter cívico e nacionalista, que afirme a superioridade da nação e promova as glórias da civilização nacional.

Resolução

a) Incorreta. Durkheim defende que os valores ensinados na escola devem ter fundamento racional, não religioso, e Floresta critica a precariedade da educação religiosa no Brasil. Portanto, nenhum dos dois reafirma a centralidade de valores religiosos na formação moral.
b) Incorreta. Embora Nísia Floresta defenda a educação feminina, nada no texto indica que ela ou Durkheim interpretem a educação como expressão de uma “lei necessária do progresso” — ideia típica de um determinismo positivista de tipo comtiano. O ponto destacado em Durkheim é a função social da escola como instância de socialização e moralização racional, não a afirmação de um progresso histórico inevitável. A convergência entre os autores deve ser buscada na função integradora da educação, não em um suposto determinismo evolutivo.
c) Correta. Floresta vê a educação como instrumento de capacitação moral e social para que as mulheres contribuam para a sociedade; Durkheim entende a escola como espaço de socialização nos valores e normas coletivas. Em ambos os casos, a educação é vista como instrumento de integração social, capaz de formar indivíduos aptos a participar e contribuir para a vida coletiva. Essa função socializadora é o ponto de convergência indicado pelo texto.
d) Incorreta. Floresta luta pela inclusão das mulheres na educação, não pela segregação; Durkheim também defende uma escolarização comum que socialize todos. Assim, a alternativa contraria diretamente a posição dos autores.
e) Incorreta. Floresta critica o atraso educacional brasileiro, e Durkheim enfatiza solidariedade para além das fronteiras nacionais. Não há defesa de nacionalismo ou exaltação da superioridade da nação.

Questão 10 Visualizar questão Compartilhe essa resolução

Arte Contemporânea brasileira

Capoeira, Maria Auxiliadora da Silva, técnica mista sobre tela, 69,5 x 75 x 1,5 cm, 1970. Acervo MASP.

    “Maria Auxiliadora nasceu em 24 de maio de 1935, em Campo Belo, MG, numa família de 18 irmãos, gerados por Dona Maria, uma humilde bordadora, que acumulava ainda as funções de dona-de-casa, escultora e pintora. (...) Auxiliadora, ainda criança, mostra uma inclinação natural para tingir os fios que a mãe borda para fora e, com 11 anos, já desenhava, com carvão, figuras nos muros. Absorta nessa atividade, esquecia muitas vezes de olhar as panelas no fogo, e a comida da família queimava. (...) Sem conhecer perspectiva ou claroescuro, bem dentro dos princípios dos artistas autodidatas, Auxiliadora foi aprimorando sua arte. No fim dos anos 1960, juntou-se, com outros integrantes da família, como o escultor Vicente de Paula e o pintor João Cândido, ao grupo que girava em torno do músico, teatrólogo e poeta negro Solano Trindade, no Embu das Artes, SP, onde se formara um centro de artesanato, principalmente de cultura e arte de origem africana.”

D'AMBROZIO, Oscar. Maria Auxiliadora. Um cometa das artes. Adaptado.

A trajetória da artista autodidata Maria Auxiliadora da Silva desafia as estruturas convencionais do sistema de artes visuais no Brasil ao articular, em sua obra e atuação, experiências de pertencimento, identidade e resistência. Em crítica publicada no livro “Pensando a Arte”, Mário Schenberg descreve sua produção como marcada pela "vivência autêntica da vida popular", "senso mágico afro-brasileiro" e uma "imaginação construtora de arquiteturas cromáticas e lineares". Considerando a obra “Capoeira”, os comentários de Schenberg, o texto de Oscar D’Ambrozio e os debates contemporâneos sobre arte e decolonialidade, é correto afirmar:



a)

A obra de Maria Auxiliadora é classificada como "naïf" ou "primitivista" por apresentar um vocabulário visual simples e espontâneo, característico de artistas sem formação acadêmica, o que justifica sua exclusão dos grandes circuitos institucionais da arte contemporânea.

b)

A produção de Maria Auxiliadora deve ser compreendida como uma manifestação isolada, desprovida de intencionalidade crítica ou diálogo com os debates socioculturais e políticos do seu tempo, reforçando o lugar da arte popular como expressão puramente intuitiva.

c)

A visibilidade póstuma de Maria Auxiliadora nos museus e exposições de arte brasileira evidencia o reconhecimento institucional imediato e contínuo de artistas racializados e periféricos no país, fruto da tradição inclusiva das artes visuais brasileiras desde o século XX.

d)

A categorização da obra de Maria Auxiliadora como “primitivista” ou “ingênua” revela, muitas vezes, uma perspectiva colonizadora que desconsidera a complexidade estética, a intencionalidade política e a potência simbólica de sua produção, ligada a vivências negras, femininas e periféricas que tensionam o cânone eurocentrado da arte.

e)

A valorização da obra de Maria Auxiliadora por críticos como Mário Schenberg atesta a neutralidade das categorias da crítica de arte moderna no Brasil, demonstrando que critérios estéticos sempre foram suficientes para reconhecer artistas não brancos e mulheres no campo artístico.

Resolução

A questão analisa a obra "Capoeira" de Maria Auxiliadora da Silva no contexto de debates sobre arte e decolonialidade, considerando sua trajetória como artista autodidata e os comentários de Mário Schenberg sobre sua produção.

Para resolver a questão, é necessário compreender como a obra de Maria Auxiliadora se relaciona com as estruturas do sistema de artes visuais no Brasil, considerando sua identidade como mulher negra e periférica, e como as classificações atribuídas a sua obra (como "primitivista" ou "ingênua") podem refletir perspectivas colonizadoras que desconsideram sua complexidade estética e intencionalidade política.

a) Incorreta. Embora a obra de Maria Auxiliadora seja frequentemente classificada como "naïf" ou "primitivista" por sua formação autodidata, o texto não menciona sua exclusão dos grandes circuitos institucionais. Pelo contrário, a menção à crítica de Mário Schenberg e a descrição sobre como sua obra "desafia as estruturas convencionais do sistema de artes visuais no Brasil" sugere justamente o contrário. Além disso, sua participação no grupo em torno de Solano Trindade no Embu das Artes indica inserção em um circuito artístico relevante.

b) Incorreta. O texto contradiz frontalmente esta afirmação ao destacar como a produção de Maria Auxiliadora articula "experiências de pertencimento, identidade e resistência" e como sua obra foi descrita por Mário Schenberg como marcada pela "vivência autêntica da vida popular" e "senso mágico afro-brasileiro". Sua associação com o grupo de Solano Trindade, que trabalhava com cultura e arte de origem africana, demonstra claramente seu diálogo com debates socioculturais e políticos do seu tempo.

c) Incorreta. Embora Maria Auxiliadora tenha alcançado visibilidade póstuma em importantes instituições, a história do sistema de artes visuais brasileiro (e global) é marcada pela exclusão sistemática de artistas racializados, mulheres e oriundos de contextos periféricos. O reconhecimento atual, muitas vezes póstumo, é resultado de uma revisão crítica e de um esforço de resgate por parte de curadores e pesquisadores, em resposta à falta de "tradição inclusiva" no século XX.

d) Correta. A classificação como “primitivista” ou “ingênua” é, de fato, uma ferramenta do cânone eurocentrado que historicamente subalternizou a produção de artistas sem formação acadêmica formal, especialmente aqueles ligados a culturas não europeias (como o "senso mágico afro-brasileiro" em sua obra). Esta perspectiva colonizadora tende a simplificar (como "simples e espontâneo" ou "puramente intuitiva"), ignorando a complexidade estética, a intencionalidade e a potência simbólica que Maria Auxiliadora injetava em suas representações de vivências negras, femininas e periféricas. Ao abordar temas como a capoeira (visível na obra), a artista oferecia uma poderosa contra-narrativa ao discurso dominante.

e) Incorreta. A valorização por críticos como Schenberg (que, apesar de reconhecer, ainda usava termos que a situavam fora da vanguarda moderna) não "atesta a neutralidade" da crítica. Pelo contrário, a crítica de arte moderna no Brasil, assim como no resto do mundo, não foi neutra, mas sim estruturada por critérios que historicamente favoreceram artistas brancos e com formação europeia ou acadêmica. A valorização de artistas como Maria Auxiliadora é justamente um ponto de tensão e questionamento desses critérios.